Informação para você ler, ouvir, assistir, dialogar e compartilhar!
Tenha acesso ilimitado
por R$0,30/dia!
(no plano anual de R$ 99,90)
R$ 0,30/DIA ASSINAR
No plano anual de R$ 99,90

Maraca: aula de história sobre as ondas

Nos anos 60, ninguém imaginava que o surfe brasileiro se tornaria um esporte profissional e ditaria a moda e até seria um estilo de vida. Mas nessa época, um idealista já enfrentava as ondas gigantes do Havaí e era ídolo dos primeiros surfistas do país. "As manobras que os garotos de hoje fazem, eu já mostrava nas praias do Rio há mais de trinta anos", lembra Rossini Maranhão Filho, ou Maraca, de 54 anos, um dos maiores responsáveis pela expansão do esporte. "Antes de cair na água, precisava passar em algum despacho, para pegar as velas de macumba", conta, bem-humorado. "Era o jeito de arrumar parafina para as pranchas, não havia fábrica do material no Brasil."Ao lado de outros idealistas como Carlos Eduardo Penho, Márcio Bração e Armando Serra, Maraca desvendou um santuário: a Praia de Itaúna, em Saquarema (RJ), conhecida por suas ondas perfeitas, devido às condições geográficas privilegiadas. "Era um paraíso, ninguém vinha aqui. Só quem tinha muito dinheiro e podia importar os equipamentos, que eram caríssimos."Nadador desde a infância, Maraca cresceu em Copacabana, no Rio, e conviveu com o preconceito por ser surfista. "Ouvia comentários: esse é o maluco que vai para a praia às 6 da manhã, passear sobre as águas, em cima de uma asa de avião." No período de quase um ano em que morou nos Estados Unidos, Maraca viu surgir o "boom" do surfe, a partir da Califórnia. Garante ser o primeiro brasileiro a competir profissionalmente no Exterior, em 1968, e aprendeu novas técnicas, que lhe renderam conquistas como o 7.º lugar no Circuito Mundial, em 1972, e o vice-campeonato brasileiro de 1973, em Ubatuba.Big Waves - "Você acha que vai morrer, mas quando a onda passa, a sensação é maravilhosa". Resumir a adrenalina de surfar uma onda gigante - que atinge facilmente os 10 metros de altura - não é tão difícil para Maraca, um dos primeiros surfistas do país a pegar as "big waves" em Waymea, no Havaí, em 1969. Tanto que, ao encerrar a carreira, transportou o espírito aventureiro para a área de marketing, onde atua até hoje.Mas Maraca conta que o surfe ganhou impulso no Brasil quando seu amigo Russell Coffin, brasileiro filho de americanos, trouxe a tecnologia para a fabricação das pranchas de poliuretano. "O equipamento ficou mais acessível e surgiram cada vez mais praticantes." Um marco do surfe brasileiro foi o Festival de Surfe de Saquarema, que reuniu 70 mil pessoas em Itaúna, em 1975.Talvez as novas gerações não conheçam Maraca. Mas se os brasileiros podem usufruir do surfe, devem muito a ele. "Às vezes, me surpreendo com tudo o que fiz. Fui mesmo um desbravador", afirma, sem falsa modéstia.

Agencia Estado,

18 de outubro de 2004 | 09h00

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.