Maracanã sofre greve de advertência

Operários da reforma do estádio paralisaram ontem as obras, que estão atrasadas; haverá nova assembleia segunda

TIAGO ROGERO / RIO, O Estado de S.Paulo

19 de fevereiro de 2013 | 02h06

Um dia antes da visita oficial de integrantes do Comitê Olímpico Internacional (COI) ao Maracanã, operários que trabalham na reforma do estádio decidiram ontem fazer uma paralisação de advertência. Os trabalhadores não descartam nova greve - seria a terceira, depois de uma em agosto (5 dias) e outra em setembro (19 dias) de 2011. Nova negociação entre sindicato e o consórcio Maracanã 2014 está marcada para quinta-feira e a próxima assembleia, para segunda.

Na já atrasada reforma do estádio, que vai receber as finais das Copas do Mundo e das Confederações, a segunda-feira começou com uma das etapas mais importantes: a instalação da polêmica lona de cobertura, que deveria ter sido concluída ainda em 2012. A decisão de demolir a antiga cobertura para substituí-la pela nova lona tencionada encareceu a reforma em mais de R$ 200 milhões. Hoje, o custo total está em cerca de R$ 860 milhões.

Depois de reunião sem acordo na última sexta-feira entre o Sindicato dos Trabalhadores da Construção Pesada Intermunicipal do Rio (Sitraicp) e o consórcio, formado pelas construtoras Odebrecht e Andrade Gutierrez, os operários decidiram em assembleia na manhã de ontem pela paralisação de advertência. "Como não andou a negociação, os trabalhadores resolveram parar a obra", disse o presidente do Sitraicp, Nilson Duarte. "Na segunda, faremos outra assembleia para definir tudo e poderá haver uma greve maior."

O Sindicato pede reajuste salarial de 15%, mais cesta básica de R$ 330, plano de saúde também para familiares, participação nos lucros de dois salários e hora extra de 100%. O Maracanã 2014 ofereceu aumento de 8%, cesta básica de R$ 250 e bonificação de R$ 150. Ontem, a assessoria de imprensa do consórcio preferiu não se pronunciar.

A secretaria estadual de Obras informou que está acompanhando de perto a negociação, mas não vai intervir: "O governo do Estado está confiante de que haverá acordo entre as partes". A Empresa de Obras Públicas do Estado (Emop) informou que, pela tarde, o expediente já havia voltado ao normal. Mas, segundo o sindicato, muitos trabalhadores foram para casa e a totalidade deles só voltaria a trabalhar normalmente na manhã de hoje.

A paralisação se dá na semana em que o governo estadual prometeu finalmente lançar o edital para concessão do novo estádio à iniciativa privada. Ontem, o secretário estadual da Casa Civil, Régis Fichtner, confirmou que a concorrência sairá até sexta-feira.

Em 24 de abril, o estádio receberá seu primeiro "evento-teste", um jogo fechado para os trabalhadores da reforma. O estádio precisa ser entregue à Fifa em 24 de maio para a Copa das Confederações, que começa em 15 de junho e será apresentada oficialmente hoje em Fortaleza. Antes, o estádio vai receber Brasil x Inglaterra, em 2 de junho.

A Comissão de Coordenação do COI para os Jogos de 2016 - o Maracanã vai receber as cerimônias de abertura e encerramento da Olimpíada - vai fazer hoje uma visita ao estádio. Depois, os integrantes vão conhecer a nova sede do Comitê Rio 2016, no centro. / COLABOROU ANTONIO PITA

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