Maracutaia do vento

Terminada a segunda série de testes da pré-temporada da Fórmula 1 e, portanto, faltando apenas mais quatro dias de treinos antes de começar o Mundial, pelo menos três conclusões já dá pra tirar: 1.º, a Red Bull tem, de novo, o melhor carro; 2.º, a McLaren mudou o foco, preparando-se para começar o campeonato com um carro mais confiável do que o do ano passado; 3.º, a Ferrari fez outro carro ruim e difícil de acertar. De resto, apenas indícios.

REGINALDO LEME, O Estado de S.Paulo

25 de fevereiro de 2012 | 03h07

Por exemplo, a Lotus havia encerrado a primeira série no circuito de Jerez de La Frontera com seus engenheiros rindo à toa depois de 404 voltas (1.789 quilômetros). Kimi Raikkonen foi o mais veloz no primeiro dia e Romain Grosjean repetiu o resultado no segundo, entre os que treinaram com carros novos. Mas duas semanas depois, em Barcelona, a equipe abandonou os treinos depois de 7 voltas, por causa de uma suspeita de problemas estruturais no chassi, defeito tão grave que joga por terra os planos que a equipe tinha de disputar o terceiro lugar entre os construtores.

Por outro lado, os sinais positivos da Toro Rosso se repetiram em Barcelona. Em Jerez, o estreante Jean-Éric Vergne terminou o último dia com um segundo lugar, e agora, tanto nas mãos de Vergne quanto de Daniel Ricciardo, o carro andou sempre entre os cinco primeiros, percorrendo um total de 2.776 quilômetros. Surpresa maior é ver a Force India muito bem nas duas pistas. Paul di Resta havia conseguido um segundo tempo em Jerez e agora Nico Hulkenberg chegou a ser o mais veloz em Barcelona, terminando a série com o terceiro melhor tempo da semana. Os dois carros somaram 2.980 quilômetros.

Apenas uma vez em oito treinos a Red Bull terminou o dia na frente. De resto, Vettel e Webber sempre andaram entre os quatro, mas com muita facilidade. A equipe percorreu 2.953 quilômetros sem mostrar tudo o que tem na pista, e até nos boxes, graças ao esforço dos mecânicos para esconder das rivais algumas soluções adotadas no RB8. Da mesma forma, a McLaren só visou a confiabilidade do carro novo, que, em 3.554 quilômetros de treinos, deixou Hamilton e Button certos de que serão eles os pilotos com mais chance de brigar com a Red Bull quando o campeonato começar. Da Williams de Bruno Senna, ainda não se sabe se o carro é veloz, mas, certamente, é resistente. De todos, foi o que mais andou - 3.760 quilômetros. E de sobra a equipe ainda deu um jeitinho de Maldonado, com pneus supermacios, fazer o melhor tempo da parte matinal e encerrar o teste de ontem como o segundo melhor da semana.

Mas foi este o tema de um e-mail do velho amigo Carlo Gancia, que gerou respostas engraçadas de outros amigos ligados ao automobilismo. Quem conhece bem o circuito de Barcelona sabe que no período da manhã o vento sopra a favor na reta, e à tarde acontece o inverso - o vento contrário é tão forte que obriga os engenheiros a encurtar o câmbio mudando a relação de marchas. Portanto, o resultado obtido de manhã é sempre melhor, mas não é uma boa referência. No GP a classificação e a corrida acontecem no período da tarde. Porém, se é pra virar notícia, dá certo.

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