Maradona posa até de estrategista

Argentina, sensação do início da Copa, não vive só do talento individual, mas também de jogadas ensaiadas

Wilson Baldini Jr., O Estado de S.Paulo

20 de junho de 2010 | 00h00

Diego Armando Maradona cansou de definir jogos para a seleção argentina. Agora, como técnico, tem sob seu comando o genial Lionel Messi. Mas, mesmo assim, "El Diez" não vive apenas do talento individual de seus jogadores. Nos dois primeiros jogos dos "hermanos" na Copa da África do Sul - fez 1 a 0 na Nigéria e goleou a Coreia do Sul por 4 a 1 - já deu para notar o motivo de tantos treinamentos fechados: uma série de jogadas ensaiadas é utilizada nas partidas.

Maradona abusa do talento de Messi para encontrar o melhor trajeto da bola em pelo menos três situações. Sempre em bolas paradas. Nada é feito por acaso. O improviso fica reservado para as jogadas individuais do atual camisa 10. Qualquer falta no campo de ataque vira um tormento para o adversário.

Dos cinco gols anotados pela Argentina até agora, três foram obtidos por meio de uma estratégia excessivamente treinada em um dos campos da Universidade de Pretória, onde a equipe está concentrada para o Mundial.

Maradona dispensa horas ao lado de Messi para "ensinar" como o astro do Barcelona deve bater na bola nos escanteios. E se divertiu com a velocidade com que o jovem craque quase atingiu a perfeição. O objetivo é colocar a "pelota" entre o bico da pequena área e a marca do pênalti para o aproveitamento de cabeçadas dos zagueiros Demichelis, Samuel, Burdisso, Heinze ou Gutierrez. Nenhum deles é muito alto (média de 1,81 metro), mas o posicionamento e a velocidade beiram o lance perfeito e o perigo se torna constante para os rivais. Desta jogada saiu o gol de Heinze contra a Nigéria.

Ousadia. A segunda jogada é mais audaciosa. Para isso, a falta precisa ser sofrida de frente para o gol rival. Messi é o responsável por bater na bola. Cerca de seis atletas, entre zagueiros e atacantes argentinos, se posicionam na risca da grande área adversária. O lançamento de Messi vai do outro lado. Todos se deslocam e o primeiro a atingir a bola de cabeça tem duas opções: tentar finalizar para o gol ou servir um companheiro no meio da área.

A terceira opção de jogada teve êxito diante da Coreia do Sul, proporcionando o primeiro gol. Falta na lateral, a três passos da linha de fundo. Maxi Rodríguez (que substituiu Verón, machucado) toca curto para Messi, que com melhor ângulo cruza no meio da área. Um dos zagueiros - contra os coreanos foi Burdisso - resvala de cabeça para a segunda trave, onde geralmente está Higuaín. A jogada deu certo diante dos asiáticos. A Argentina volta a campo na terça-feira diante dos gregos. Maradona e Messi prometem novas surpresas.

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