Maratona aquática, chance do primeiro pódio para o Brasil

O Brasil deve terminar o primeiro dia de competições do Pan com pelo menos duas medalhas. Essa é aposta dos atletas da maratona aquática, modalidade que estréia na competição carioca e será disputada nas águas de Copacabana em 14 de julho.A natação em águas abertas tornou-se olímpica em outubro de 2005 - entrará, portanto, no programa dos Jogos de Pequim, no ano que vem. Pouco depois, a Organização Desportiva Pan-Americana (Odepa) decidiu incluir a prova no Pan, para felicidade dos brasileiros. Afinal, o País tem uma vice-campeã mundial: Poliana Okimoto, de 23 anos, conquistou a prata nos 5 km e 10 km (a distância do Pan) em Nápoles, em 2006. ?Depois dos meus resultados, a maratona passou a ser vista de outra maneira?, assegura.Com quatro vagas (duas para os homens e duas para as mulheres) asseguradas, o Brasil definirá a equipe em 12 de maio, em prova única a ser disputada em Copacabana. Mas a seletiva desagradou aos atletas. O carioca Luiz Lima, de 28 anos, medalha de ouro no Pan de Winnipeg, em 1999 (venceu os 400 m livre, quando era atleta das piscinas), acha que é arriscado decidir vagas em uma prova só. ?Seria justo se tivéssemos ao menos três seletivas?, argumenta. ?Para a mídia é mais emocionante, mas nós vamos na base do ?agora ou nunca?. É rezar para não ter problema no dia.?Mesmo sem uma equipe definida, Lima aposta que o Brasil certamente estará entre os três melhores das Américas. ?Tanto no feminino quanto no masculino temos muitas chances.? Os maiores adversários serão os americanos e os canadenses que, ao contrário de outras modalidades, devem vir com seus principais atletas.Além de Luiz Lima, pentacampeão da Travessia dos Fortes, brigam por um lugar entre os homens os baianos Allan do Carmo e Fábio Lima e o carioca Carlos Pavão. Entre as mulheres, além de Poliana Okimoto, as favoritas são a capixaba Maria da Cruz Penha, a Pepenha, e as baianas Pamela Engel e Ana Marcela Cunha, que, com apenas 14 anos, foi a vencedora da Travessia dos Fortes do ano passado.Briga na areiaQuem pensa, porém, que nadar no mar é moleza, está muito enganado. Além de enfrentar as adversidades climáticas - como um dia de tempo ruim ou temperatura e condições da água -, o atleta da maratona aquática precisa ficar muito atento à própria segurança. O contato físico, impossível na piscina, é constante nas águas abertas.?Às vezes, sinto saudade da piscina. A maratona é mais violenta, um baita estresse. É preciso se proteger para não apanhar?, diz Luiz Lima. Poliana, aliás, foi vice-campeã mundial com o tímpano rompido: levou uma cotovelada logo na largada e precisou até passar por cirurgia.

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