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Maratona de Boston impõe novos desafios aos corredores em meio à pandemia

Novas regras e protocolos de distanciamento social estabeleceram limites à corrida mais antiga dos EUA

Matt Futterman, The New York Times

14 de maio de 2021 | 10h00

Os organizadores da Maratona de Boston não tinham ideia do que esperar quando abriram as inscrições para a corrida de 2021. Os organizadores, que cancelaram a maratona de 2020 por causa da pandemia do coronavírus, mudaram a corrida deste ano de abril para outubro e agora o calendário de outono está cheio de grandes maratonas. Depois de mais de um ano de medo do vírus, os organizadores não sabiam se as preocupações persistentes sobre a infecção poderiam dissuadir os corredores da ideia de correr no meio de uma massa humana - o que é inevitável, independentemente dos protocolos de distanciamento social. Nesse caso, eles estabeleceram o limite da corrida a 20 mil corredores, em vez dos 30 mil habituais.

Na semana passada, quando a Boston Athletic Association, dona da corrida, começou a informar os corredores se eles tinham se classificado para a competição, as respostas ficaram claras. Os corredores estavam prontos. A corrida tem mais de 9.200 participantes classificados, uma indicação do duradouro fascínio da maratona mais antiga do país e da ânsia dos corredores em chegar à linha de partida. “Todos estão sozinhos há mais de um ano e estamos cansados de ficar sozinhos”, disse Tom Grilk, presidente-executivo da associação atlética.

Dawna Stone, presidente-executiva da Running USA, uma associação que representa as corridas de rua, disse que tudo o que estava vendo sugeria um retorno robusto. Certamente ajuda o fato de a sabedoria predominante dizer que o risco de transmissão de doenças ao ar livre é mínimo com os protocolos adequados. “Os eventos podem ser retomados com segurança”, disse ela.

Claro, como Boston é Boston - a única grande maratona que requer um índice de qualificação das maratonas do ano anterior - há uma desvantagem significativa para a sede por corridas. Com a participação reduzida em cerca de um terço, os corredores tiveram que bater o índice de qualificação para sua faixa etária em 7 minutos e 47 segundos para entrar na corrida.

Quão absurdo é esse número? O recorde anterior para o índice de corte veio em 2019, quando os corredores tiveram que bater o índice de qualificação por 4 minutos e 52 segundos. Foi considerado um número tão alto que a Boston Athletic Association reduziu o padrão para grupos de idade em cinco minutos para que os corredores pudessem ter uma ideia melhor de quão rápido eles precisavam correr para obter o tempo de qualificação desejado, conhecido como “BQ”.

Modéstia um pouco à parte: lutei contra um vento forte na Michigan Avenue nos quilômetros finais da Maratona de Chicago de 2019 para bater o índice deste ano em 62 segundos. Mal sabia que esses últimos passos significariam alguma coisa. Talya Minsberg, a capitã deste boletim informativo, bateu o padrão nessa mesma corrida por 5 segundos. Nossos treinadores cross-country do ensino médio certamente estão orgulhosos de nós, porque enfim “passamos pela fita”.

Grilk disse que não tinha previsto esse tempo de corte recorde. Mas ele não previu nada porque não havia precedente de como os corredores reagiriam à oportunidade de voltar a correr quando a ameaça do coronavírus diminuísse nos Estados Unidos. A lógica pode ter sugerido uma resistência às viagens ou uma inclinação para correr maratonas perto de casa. “Talvez muitas pessoas pensassem que seria fácil entrar neste ano, o que as fez se inscrever quando normalmente não o fariam”, disse ele. “Eu realmente não tenho ideia”.

Seja como for, em 11 de outubro, cerca de 20 mil participantes - entre eles cerca de 5.400 participantes levantando dinheiro para instituições de caridade e corredores de elite - tentarão correr dos subúrbios a oeste de Boston, assim como têm feito quase todos os anos desde 1897. As coisas serão um pouco diferentes este ano, e não apenas por causa da participação menor. Para evitar a aglomeração de milhares de corredores na Hopkinton High School antes da corrida e na linha de partida, os organizadores estão eliminando horários de início especificados, exceto para a elite.

Em vez disso, os corredores terão um horário para embarcar num ônibus em Boston Common para a viagem de 45 minutos (máscaras obrigatórias) até Hopkinton. Uma vez lá, os corredores terão a chance de usar um banheiro químico, se aquecer e começar a caminhada até a Boylston Street.

Não haverá acotovelamento por espaço nem espera pelo tiro de partida. Serão cerca de 19.500 ondas iniciais, em vez das quatro habituais. O chip dos corredores e seu relógio é que registrará o tempo. Vai ser estranho, sim, mas depois de passar uma manhã do Dia dos Patriotas tremendo debaixo da chuva na Hopkinton High School com os pés afundavam na lama a cada passo, este sistema parece mais civilizado.

A gente se vê em Heartbreak Hill - espero! / Tradução de Renato Prelorentzou

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