Maratona de Londres reúne a nata da distância sob a expectativa de recorde mundial

Principais corredores dos 42,195 km estarão na ruas da capital inglesa; prova começa às 5h15 de domingo, com a elite feminina

Amanda Romanelli, O Estado de S. Paulo

12 de abril de 2014 | 16h54

LONDRES - Nunca houve uma prova tão cercada de expectativa como a Maratona de Londres, que começa na madrugada de domingo. Tanto a disputa feminina (que larga às 5h15) quanto a masculina (às 6h) reúne a nata dos 42,195 km. Se, entre as mulheres, há grande ansiedade por ver a estreia da etíope Tirunesh Dibaba, na corrida masculina todo cenário está montado para a quebra do recorde mundial.

 

Primeiro, porque quatro dos 10 homens mais rápidos da história estarão em Londres. Segundo, porque um ex-recordista mundial - o etíope Haile Gebrselassie, um dos mitos das provas de fundo - será o coelho da prova até o 30 km, em Canary Wharf. Terceiro, porque o atual dono da melhor marca do mundo, o queniano Wilson Kipsang, está entre os favoritos. Aliás, ele é um dos que acredita que seu tempo de 2h03min23, conquistado em setembro passado, em Berlim, pode ser superado.

"Meu recorde mundial não está a salvo, e é por isso que eu tenho que tentar melhorá-lo. É possível que ele seja quebrado se o clima estiver bom", afirmou o o fundista de 32 anos, que venceu na capital londrina em 2012. "Esta é a melhor maratona da história", garante Haile Gebrselassie, que nunca ganhou em Londres, mas bateu duas vezes o recorde mundial da prova (2007 e 2008, em Berlim). "Eu nunca vi tantos grandes nomes em uma prova só, tanto no masculino quanto no feminino. Estou feliz de poder fazer parte dela. Vencer essa prova será como vencer uma Olimpíada."

 

Gebrselassie terá a missão de manter o ritmo da prova para quebra de recorde, fazendo cada quilômetro em 3 minutos. Quando a corrida chegar à metade, ele deve ter levado o pelotão principal a fazer o percurso de 21 km em 61min45, pouco depois da passagem pela Tower Bridge. "Depois disso, um de nós terá que tomar a frente do grupo para a segunda parte da prova", ressaltou Kipsang. "Não será fácil, é preciso salvar energia na primeira metade da corrida. Eu estarei pronto para assumir essa posição se for preciso."

 

 

Se Kipsang pensa em recorde mundial diante de adversários como o ugandense Stephen Kiprotich (campeão olímpico e mundial) e o etíope Tsegaye Kebe, atual campeão da prova, Mo Farah pensa, em sua estreia, em derrubar o recorde britânico (2h07min13), que pertence ao galês Steve Jones desde 1985. No ano passado, pouco antes de conquistar o título mundial dos 5 mil e 10 mil metros em Moscou, Mo correu metade do percurso de Londres. Após agosto, iniciou sua preparação específica para seus primeiros 42,195 km.

 

"Eu gostaria muito de agradecer a David Bedford (organizador da prova) por ter feito a corrida ficar fácil para mim", brincou o carismático fundista, que nasceu na Somália e mudou para Londres aos oito anos. "Sei que terei de respeitar a distância porque será algo completamente diferente para mim. Quero largar e correr com o grupo, mas tentarei ser paciente para não desperdiçar muita energia."

 

Farah afirmou que correrá inspirado pela performance de Kenenisa Bekele. Seu predecessor nas pistas, recordista mundial dos 5 mil e dos 10 mil metros, também correu uma maratona pela primeira vez este ano. Há uma semana, ele largou em Paris e venceu com o tempo 2h05min03. "Isso me deu grande confiança. Eu vi o fim da prova e gostaria de cumprimentá-lo pelo excelente tempo. E acho que, se Bekele correu tão rápido, eu posso fazer o mesmo, embora as condições das provas sejam totalmente diferentes."

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