Maratona de maio

Não está nada fácil este mês de maio. Mal cheguei de Istambul e já estou em Porto Alegre para mais uma etapa da Stock Car. Na quarta-feira, de volta à Europa, começando por Barcelona e emendando com Mônaco. Mas as boas corridas têm sido uma grande recompensa. O kers e a abertura da asa traseira têm ajudado a F-1 nas ultrapassagens, mas o que vem fazendo a diferença mesmo são os pneus. Uma hora e meia de corrida na Turquia com 82 paradas de box para troca de pneus é algo inédito na história. Isso tem valorizado o piloto competente para andar rápido sem destruir os pneus e também o trabalho de uma equipe bem treinada. A corrida da Turquia mostrou muito claramente - a soma do tempo gasto nos 4 pit stops de Vettel dá 4,5 segundos a menos do que a Ferrari precisou para fazer o mesmo número de trocas no carro de Alonso. E na comparação com os desastrados pit stops de Massa, a vantagem de Vettel foi de 11,9 segundos, tempo suficiente para decidir uma corrida.

Reginaldo Leme, O Estado de S.Paulo

14 de maio de 2011 | 00h00

A Ferrari não anda bem nem na pista e nem nos boxes. Sorte dela que a própria Pirelli considera muito difícil esta quantidade de pit stops se repetir no restante da temporada. Das quatro primeiras corridas do ano, a da Austrália já teve um número de pit stops alto para uma pista de rua - 46. Na Malásia, foram 59. Na China, 58. E agora na Turquia toda expectativa foi superada. Por causa do excepcional consumo de borracha da desafiadora Curva 8, e também por mais uma corrida com pouquíssimas quebras (duas), o GP chegou a 82 trocas de pneus.

Ainda tem muito campeonato pela frente. Mas já acho bem difícil a Ferrari evoluir a ponto de atrapalhar a briga de Red Bull e McLaren pelo título deste ano. Vettel, Webber, Hamilton e Button são os caras.

Mas só por uma zebra muito grande o título escapa das mãos do atual campeão. Sebastian Vettel vive um grande momento. Ele fez todas as pole positions do ano e venceu três das quatro etapas disputadas (já tinha vencido as duas últimas do ano passado). E o carro da Red Bull é quase imbatível como foram outros carros que saíram das pranchetas de desenho ou dos computadores de Adrian Newey.

Newey é um engenheiro inglês de 53 anos, especialista em aerodinâmica, que trabalhou na Real Força Aérea Britânica antes de se aventurar no automobilismo. Suas primeiras experiências, 30 anos atrás, foram vividas na equipe Copersucar-Fittipaldi. Depois passou algum tempo na Indy e voltou à F-1 para trabalhar na March junto com outro brasileiro, Mauricio Gugelmin. Os carros criados por Newey começaram a vencer quando ele foi trabalhar na Williams sob o comando de Patrick Head. De 91 a 97 acumulou 58 vitórias, além de quatro mundiais de pilotos e cinco de construtores. Em 98 a McLaren o tirou da Williams por um caminhão de dinheiro. Daí até 2005 ele obteve mais 41 vitórias, dois títulos de pilotos e um de construtores. Está na RBR há três anos e já ganhou mais 12. As 111 vitórias acumuladas fazem de Adrian Newey o projetista mais bem-sucedido da história, embora na F-1 de hoje um carro não seja mais criação de uma única pessoa.

Olho no futuro. Além da Stock Car no Velopark, neste fim de semana é bom ficar de olho na participação de jovens pilotos brasileiros em rodadas de importantes categorias de acesso à F-1. Na World Series, que revelou Vettel e Kubica, o gaúcho Cesar Ramos, de 21 anos, corre em Monza, palco em que ele conquistou o título do ano passado na F-3 italiana, a mesma que este ano tem o paulista Victor Guerin estreando em Franciacorta. Já a F-3 inglesa, dominada pelos brasilienses Felipe Nasr e Lucas Foresti, ambos de 18 anos, tem mais uma rodada tripla em Snetterton. Nas seis provas disputadas, eles venceram quatro, sendo três com dobradinha. Nasr, que tem a carreira gerenciada pelo tio Amir Nasr, dono de equipe atualmente na Stock Car, ganhou três e lidera o campeonato. Foresti, gerenciado pelo ex-piloto Roberto Moreno, ganhou uma e é vice-líder. É Brasília na parada.

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