Andrew Kelly| Reuters
Competição acontecerá neste domingo Andrew Kelly| Reuters

Competição acontecerá neste domingo Andrew Kelly| Reuters

Maratona de Nova York terá participação de 50 mil corredores

Competição acontecerá neste domingo e contará com a presença de centenas de brasileiros

Marina Aragão , especial para o Estado

Atualizado

Competição acontecerá neste domingo Andrew Kelly| Reuters

Mais de 50 mil corredores de 125 países vão seguir na mesma direção para tentar completar o percurso de 42.195 metros da Maratona de Nova York, uma das mais charmosas do circuito Top 5 e realizada no primeiro domingo de novembro desde 1970. A edição deste ano ocorrerá no dia 3 e contará com a presença de centenas de brasileiros amantes do esporte. Eles não almejam o tão sonhado primeiro lugar no pódio. Na verdade, correm por amor pelo que a corrida representa nas suas vidasm conforme dito por alguns deles ao Estado.

O economista e professor universitário Natalício Cândido da Silva estava arrumando as malas quando atendeu, por telefone, a reportagem do Estado. Aos 74 anos, um dos corredores mais experientes da prova estava nos últimos preparativos para ir à sua 80ª corrida da vida e participar da Maratona de Nova York pela 20ª vez.

Natalicio conta que é amante de esporte desde criancinha. Começou com a natação e depois partiu para o boxe. Ao entrar na faculdade, o tempo ficou curto, mas quando achava um espacinho na agenda, corria. A partir daí, tomou gosto pelos passos rápidos. Em 1964, participou da sua primeira prova e de lá para cá não parou mais.

Sempre com a bandeira do Brasil estampada no peito, ele já perdeu as contas de quantos lugares ao redor do mundo já conheceu correndo. "Enquanto o dedinho mexer, vou continuar correndo", avisou, não dando prazo para qualquer aposentadoria das ruas. Com 1,79 m e 82 kg, Natalício brinca que quando vê os amigos da mesma idade, ele se sente bem.

Animado por correr mais uma vez em Nova York, se empolga ao contar os eventos que marcaram sua vida, exceto um: em 2012, a Maratona de Nova York foi cancelada por causa do Furacão Sandy. "Todo mundo ficou muito triste naquele dia". Em compensação, outras viagens renderam até coquetel no comitê do então presidente dos Estados Unidos na época, Barack Obama.

Com uma coleção de histórias marcantes proporcionadas pelo esporte, Natalício revela seu desejo de colocar todas elas num livro. Um dos momentos em que a corrida o ajudou foi na morte de Dona Neuza, sua mulher, em maio deste ano. Ela era sua parceira e maior incentivadora. "Isso me desanimou bastante, mas resolvi voltar. Se não fossem as corridas, estaria muito mal", ressaltou.

Para ele, as medalhas que conquistou valem menos do que os passos dados. Natalício ri e comenta, com orgulho, que não sabe quantas já acumulou. Ele guarda com carinho o saco de mais de 20 kg e é adepto do famoso bordão "o importante é competir". Para ele, a medalha que traz de volta para casa é sua prova de que esteve na competição. Nada mais importa. A colocação é apenas um detalhe.

Custos

Participar de uma maratona em Nova York não é tão barato. Tem o custo da passagem aérea, hospedagem, inscrição no evento... Certa vez, Natalício vendeu o carro para poder participar da corrida. "Se você gosta da coisa, você acaba pagando o preço", diz. Tamanha importância, o corredor conta que encara a corrida como uma lição de vida. "Você começa correndo 5 km, 10 km, e sabe que o próximo quilômetro você vai ter de vencer para chegar ao 42, sejam quais forem os obstáculos. Isso é como a vida", compara.

ESTREIA

Ao contrário de Natalício, o jornalista Marcel Agarie, 39 anos, vai correr a Maratona de Nova York pela primeira vez. Mas a corrida será a sexta na sua fase de corredor - a primeira foi a Maratona de São Paulo, em 2018, depois a de Berlim, também no ano passado, depois ainda a do Rei da Montanha. Neste ano, ele completou a Maratona do Rio de Janeiro, a de Buenos Aires e agora participará nos Estados Unidos.

O corredor sabe que esta edição da prova será um desafio e afirma que o mais difícil é o treino de preparação para conseguir ir bem. "Exige bastante disciplina, desde a parte de alimentação até treinamentos. Em média, a gente pratica quatro vezes por semana e nos dias que não têm treino, você tem de fazer musculação", explicou.

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A pessoa deve gastar entre R$ 12 mil e R$ 15 mil, porque tem passagem aérea, tem a parte de hotel, e é preciso chegar um pouco antes para se ambientar
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Marcel Agarie, corredor debutante em NY

Outro desafio é o custo salgado para a aventura. Marcel está sendo patrocinado, mas, de acordo com ele, os corredores "autônomos" precisam pagar academia, suplementos e viagem. "A pessoa deve gastar entre R$ 12 mil e R$ 15 mil, porque tem passagem aérea, tem a parte de hotel, e é preciso chegar um pouco antes para se ambientar", explicou.

Marcel não nasceu atleta. Ele conta que começou a correr de um modo não tão "convencional" e "quase sem querer". Com uma vida sedentária, pesava quase 100 kg - eventualmente, jogava bola com os amigos. Mas, no começo de 2012, em uma dessas partidas, ele rompeu o tendão de Aquiles do pé esquerdo. Escutou de um fisioterapeuta que nunca mais iria conseguir voltar a andar normalmente. Inconformado, foi procurar um outro profissional. Para além da fisioterapia diária, Marcel tinha de fazer umas "lições de casa" e foi recomendado pelo profissional a dar umas "trotadinhas". Nas voltas de 300 metros pela praça perto de casa, Marcel começou a arriscar umas pequenas corridinhas por cerca de uma hora.

Nessa época, um amigo dele já corria e o convidou para participar de uma prova. Mas havia um grande empecilho: acordar cedo. "Eu achava um absurdo ter de pagar para correr, mas o que mais me pegava era acordar cedo, eu odiava", brinca. Ele conta que deu várias desculpas, até que o amigo encontrou uma night run - corrida que é realizada à noite. Em novembro de 2013, Marcel fez a sua primeira prova, de 5 km, que foi completada em 36 minutos. "A sensação quando terminei é que eu queria fazer outra prova já e aí passei a encarar a corrida como um hobby e virou hábito", relata. Isso começou a ser seu lazer do final de semana e a meta era fazer uma por mês. Ele chegou a participar de seis provas em 30 dias.

Marcel diz que tudo mudou na vida dele após a corrida, desde o lado pessoal até o profissional. Com 40 anos, o corredor garante que se sente muito melhor atualmente do que quando tinha 30 anos. Além disso, ele ressalta também a lista de amigos que conquistou por causa do esporte. "A corrida é minha vida e pode ter me salvado."

São milhares de pessoas como Natalicio e Marcel que vão encarar o trajeto na icônica Nova York. Cada um tem uma inspiração para dar suas passadas em direção à linha de chegada. Eles nem se importam de ver os favoritos fazerem tempos bem mais rápidos. Para esses corredores amadores, o importante é manter o corpo em movimento.

 

 

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Vencedores receberão R$ 400 mil cada

Competição distribuirá cerca de R$ 3,6 milhões no total para os competidores

Andreza Galdeano e Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

01 de novembro de 2019 | 11h00

A Maratona de Nova York não é uma prova tão rápida como a de Berlim, por exemplo. Mesmo assim ela atrai grandes atletas internacionais. O domínio nos últimos anos tem sido dos africanos e de um brasileiro, Marilson Gomes dos Santos,  que já venceu a corrida duas vezes (2006 e 2008). Ele entrou para o Hall da Fama da prova. "Estou honrado por fazer parte do seleto grupo dessas pessoas", disse na cerimônia de premiação. Apesar da distância de tempo da última vez que Marilson ganhou nos EUA, ele ainda é apontado como uma referência da competição.

Para a edição da prova neste domingo, os campeões da elite masculina e feminina embolsarão US$ 100 mil (cerca de R$ 400 mil) cada um. No total, serão distribuídos mais de US$ 900 mil (R$ 3,6 milhões) em premiação para as diversas categorias. A primeira largada, marcada para 9h30 (horário de Brasília) do domingo, será para a disputa de cadeirantes. A elite feminina parte 10h10, e a masculina, 10h40.

Na primeira edição da prova, em 1970, quando o país vivia uma efervecência cultura, 127 atletas largaram e apenas 55 ultrapassaram a linha de chegada. A vitória foi do norte-americano Gary Muhrcke. Ele correu o percurso em 2h31min38s. Com o passar dos anos, a disputa foi ficando cada vez mais internacional, os tempos foram baixando e a quantidade de pessoas aumentou exponencialmente.

Na última edição, no ano passado, 52.814 pessoas participaram da prova. A vitória ficou com o etíope Lelisa Desisa no masculino. A queniana Mary Keitany ganhou no feminino. Com um percurso passando por grandes cartões-postais da cidade, e a chegada no Central Park, muita gente opta por competir em NY também pelo glamour da cidade.

Só para se ter uma ideia, a inscrição para a Maratona de Nova York, para pessoas que não moram nos EUA, custa US$ 358, o equivalente a R$ 1.438. Para o brasileiro, é um valor bem significativo, mesmo sendo uma prova com boa estrutura de hidratação e suporte médico durante todo o percurso.

O domingo marcará ainda o retorno da tricampeã da prova Mary Keitany, do Quênia. Apesar do favoritismo, ela mostra humildade e garante que tem adversárias à altura. No masculino, o destaque é Lelisa Desisa, campeão no ano passado e que chega motivado por ter conquistado a medalha de ouro na maratona recentemente em Doha, no Mundial de Atletismo. A Maratona de Nova York fecha o calendário das competições Majors, que incluem outras seis provas de grande nível internacional: as de Tóquio, Boston, Londres, Berlim e Chicago. Todas já foram realizadas neste ano.

 

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Os melhores lugares para assistir à Maratona de NY

Competição deverá contar com cerca de um milhão de torcedores espalhados por diferentes locais

Michael Gold, The New York Times, O Estado de S.Paulo

01 de novembro de 2019 | 11h14

NOVA YORK - Treinar para uma maratona pode ser um exercício muito solitário, geralmente exigindo que os atletas corram quilômetros e quilômetros, várias vezes por semana, com pouquíssimo alarde. Mas, no domingo, as mais de 50 mil pessoas que vão correr a Maratona de Nova York serão acompanhadas por centenas de milhares de outras pessoas para as quais a corrida é um esporte apenas para se assistir.

“Nesse dia, tem um milhão de pessoas torcendo por você”, disse Michael Capiraso, presidente e executivo-chefe da New York Road Runners, que organiza a maratona. “Alguém vai escolher você no meio de todos os outros maratonistas”, continua.

Capiraso, que este ano estará disputando sua 28ª Maratona de Nova York consecutiva, disse que a multidão é fundamental para manter a animação dos corredores. “Precisamos muito de vocês. A inspiração e o impacto das pessoas que nos acompanham ao longo do percurso são inestimáveis”, comenta.

Com 42 km se estendendo por cinco distritos, a trajetória da maratona oferece vários pontos para quem quer torcer pelos corredores fatigados. Aqui vai um guia dos melhores lugares.

AS PONTES

O percurso de Nova York é diferente do trajeto de outras maratonas, em parte por causa das cinco pontes que levam os corredores de um bairro a outro. A exposição ao vento e o relativo silêncio, pela falta de torcida, fazem com que as pontes sejam especialmente difíceis de atravessar.

Então, quando os corredores voltam à terra firme, o barulho da multidão ajuda muito. “Depois da solidão e do desafio que a ponte traz, chegar ao outro lado e ver as pessoas aplaudindo é realmente especial”, disse Capiraso. Esse apoio é particularmente crucial no início da corrida, depois que os corredores descem da Ponte Verrazzano-Narrows e seguem para a Quarta Avenida, em Bay Ridge, Brooklyn.

Nesse ponto, os corredores terão completado um trecho de mais de 3 quilômetros por uma colina íngreme. Se você torcer por lá, vai ajudá-los a encarar os assustadores quilômetros que ainda têm pela frente. “A Ponte Verrazzano é linda e icônica, mas nunca tem ninguém torcendo por lá”, disse Capiraso. “Então, quando você chega ao Brooklyn, encontra uma ótima zona de aplausos”.

Se você quiser ser particularmente motivante, fique perto da marca de 32 quilômetros, onde os corredores de maratona costumam experimentar o “muro”, um momento desafiador, em que a energia começa a acabar.

Para ajudar os corredores, siga em direção à East 138th Street, no Bronx, um trecho relativamente curto da corrida, ou para Marcus Garvey Park, no Harlem, onde os corredores passam antes de descer a Quinta Avenida, rumo à linha de chegada. Os dois locais também tendem a ser menos movimentados do que os quilômetros seguintes, aumentando a probabilidade de você ver algum corredor em particular que esteja procurando.

A FESTA

As ruas de Nova York são sempre animadas, mas a maratona cria uma atmosfera particularmente energética. As pessoas lotam as calçadas com cartazes, ficam aplaudindo por horas e tocam música tanto para os corredores quanto para a multidão. Um dos trechos mais festivos do percurso fica em Fort Greene Brooklyn, ao longo da Avenida Lafayette, entre a Rua Fulton e a Avenida Bedford.

Perto da Avenida Lafayette você encontra a banda da escola Bishop Loughlin Memorial, conhecida por animar corredores com o tema do filme ‘Rocky’, e o coral da Igreja Batista Emmanuel, de onde os fiéis saem dos cultos da manhã para embalar os maratonistas com seus cantos.

Na segunda metade do percurso, os corredores encontram outra explosão de som na Primeira Avenida, em Manhattan, entre as ruas 59 e 96. Perto da 59th Street, os maratonistas que acabaram de cruzar a silenciosa e desafiadora Ponte Queensboro são recebidos por uma cacofonia de gente gritando, soprando cornetas e batendo tambores.

Nesse ponto, as calçadas geralmente ficam entupidas (embora comecem a esvaziar à medida que a corrida sobe a cidade). Mas a energia é tão intensa que pode empurrar os corredores que estão começando a “bater no muro”.

FACILIDADES

A corrida serpenteia os bairros de muitos moradores da cidade. Se você é um deles, talvez seja uma boa ficar onde está. “Se a maratona passa pelo seu bairro, já é um ótimo lugar”, disse Capiraso. “Porque você conhece a região e as pessoas ao redor”.

O trajeto também conta com várias estações de metrô, um benefício para quem precisa se deslocar até os diversos pontos do percurso. A linha R corre sob a Quarta Avenida, no Brooklyn, o que facilita a vida de quem quer assistir ao trecho inicial, onde os corredores ainda estão cheios de entusiasmo.

As calçadas mais próximas às estações de metrô, no entanto, costumam ficar mais movimentadas. Então, se você estiver pensando em ver um corredor específico em um local específico, chegue com bastante tempo de antecedência para se posicionar.

Também vale a pena conferir com os corredores qual é seu horário de largada. Os primeiros atletas cruzam a linha de largada às 8h30, mas a última leva de corredores só começa a corrida depois das 11h. / TRADUÇÃO DE RENATO PRELORENTZOU.

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