Marcas e imagem, mina de ouro a ser explorada

Os clubes brasileiros perdem milhões ao negligenciar negócios que envolvem direitos intangíveis, como o licenciamento de suas marcas e a produção de conteúdo inspirado em sua imagem ou na de seus craques. A avaliação é de especialistas que se reúnem no Rio amanhã para debater oportunidades de lucro no esporte. "O Brasil ainda está engatinhando na comparação com clubes europeus"", diz Pedro Trengrouse, coordenador de pesquisas da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Advogado com especialização da Fifa, ele fez um levantamento que apontou potencial de crescimento superior a 3.000% no Brasil para negócios dos times envolvendo marketing e licenciamentos.

Alexandre Rodrigues, O Estado de S.Paulo

27 de janeiro de 2011 | 00h00

Termômetro disso é a comparação entre os cerca de R$ 297 milhões arrecadados pelo Real Madrid na última temporada e a receita de R$ 59 milhões do Corinthians em 2010. Para ele, os times aprenderam a explorar bem a publicidade, como a venda de espaço nas camisas que triplicaram suas receitas na última década, mas ainda tiram pouco de suas marcas. "Os clubes precisam aproveitar oportunidades, como as novas mídias, para investir no relacionamento com seu torcedor"", disse. "O nível de excelência que a Copa e a Olimpíada trarão na área de marketing serão catalisadores de uma melhor exploração das marcas dos clubes. Os clubes vão aprender com esses eventos", prevê.

O advogado Bruno Holfinger, sócio do escritório Dannemann Siemsen, cita o descontrole na reprodução dos escudos dos times como exemplo de potencial desperdiçado. "O Boca Juniors, da Argentina, vende de bola a calcinha com escudo no mundo inteiro", aponta Holfinger, que vai mediar o debate durante o LES Brazil Annual Congress, evento sobre bens imateriais realizado no Rio hoje e amanhã.

Por outro lado, ele vê um amadurecimento dessas oportunidades nos clubes, que usam a publicidade para sustentar supercontratações como a de Ronaldinho Gaúcho pelo Flamengo e ampliam o potencial do marketing, elevando seus ganhos. "Antes os times compravam jogador para fazer gol e ganhar jogo; hoje, é para ganhar dinheiro." Ele cita como exemplo o impacto que a chegada de um jogador como Ronaldo provocou na venda de camisas do Corinthians.

Para Holfinger, a onda de craques repatriados pelo futebol nacional está ligada à profissionalização do marketing esportivo no Brasil, que viabiliza os salários milionários com a participação de investidores que adquirem fatias dos direitos econômicos sobre os jogadores. Ao mesmo tempo, observa, aumenta o potencial do futebol como negócio.

"Os craques voltam porque sabem que há um mercado potencial no Brasil, para onde a Copa está voltando todos os olhos do mundo. Descobriram que, em vez de ser mais um na Europa, podem ser estrelas de novo aqui", observa o advogado.

Os jogadores parecem mais atentos às oportunidades do que os clubes. Ronaldo, por exemplo, atua como garoto-propaganda de medicamento a banco. Tem patrocínio até para o seu perfil no Twitter, bancado pela Claro.

MUNDOS DIFERENTES

297

milhões de reais arrecadou o espanhol Real Madrid na última temporada por meio de ações de marketing e de licenciamento. O Corinthians teve receita de R$ 59 milhões em 2010

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