Daniel Nunes
Daniel Nunes

Marcel Stürmer vai das pistas de patinação para os palcos do teatro

Tetracampeão dos Jogos Pan-Americanos quer inspirar nova geração com sua arte sobre patins

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

08 de novembro de 2021 | 05h00

Considerado o maior patinador brasileira da história, com inúmeras conquistas internacionais, Marcel Stürmer vem se dedicando aos espetáculos desde que decidiu pendurar seus patins nas competições. Aos 36 anos, ele conseguiu unir sua paixão pelo esporte com seu amor pela arte. "Eu sempre consegui enxergar a patinação em um palco de teatro, por isso me surpreendi quando as pessoas estranhavam que o show não era em um ginásio e sim no palco do teatro", contou ao Estadão.

Desde pequeno ele se interessava pelos espetáculos e pelo entretenimento, mas como seus pais foram atletas amadores, então ele cresceu ouvindo que tinha de escolher um esporte. Foi então que assistiu a um show de patinação na escola onde estudava e quis começar a praticar a modalidade na semana seguinte. "Era esporte e arte, unia o que era obrigatório lá em casa com o que eu queria", explica.

A inspiração teatral que o motivou a patinar, e que culminou no tetracampeonato dos Jogos Pan-Americanos, com quatro medalhas de ouro em 2003, 2007, 2011 e 2015, serve de combustível para ele tentar mover outras crianças para a patinação. "Espetáculos atraem público. Eu tenho certeza que de cada plateia para qual me apresentei, saiu um novo patinador", diz.

Mesmo quando ainda competia, ele já passou a conciliar uma vida nos palcos, pois era chamado com frequência para se apresentar em espetáculos dentro e fora do país. "Eu gostava de observar o público para entender o que funcionava, quis aprender sobre iluminação e produção, entre outras coisas. Quando parei de competir, senti que era hora de focar mais na arte", explica.

Agora o patinador está gravando o espetáculo Zbura - Vagalumes, que tem um roteiro que foi desenvolvido por ele durante o período que ficou em quarentena em sua casa por causa da pandemia de covid-19. Segundo ele, a ideia nasceu de uma reflexão sobre como o ser humano poderia fazer o seu melhor e tirar lições deste momento que o mundo está passando. "O Zbura esse ano realiza o espetáculo Vagalumes, que estou gravando agora, junto de alguns dos maiores nomes mundiais da patinação, para ser lançado em dezembro."

Ele explica que Zbura significa voar e a escolha que fez pelo nome é sobre o voo do pensamento, que é totalmente livre. "Você pode acessar o que quiser na sua cabeça. Entrar em uma pista apenas para saltar e girar já não me interessa mais. É claro que os triplos estão lá, mas hoje eu quero contar histórias, provocar e fazer pensar. Para mim, arte é sobre isso. Vivo o ápice da minha liberdade quando estou no palco, e é essa sensação que gostaria que as pessoas sentissem assistindo ao show", afirma.

Marcel lembra que quando soube que alguns teatros voltariam a receber espetáculos, mas com capacidade reduzida por causa da pandemia de covid-19, ele colocou no papel os custos de tudo que teria e percebeu que essas sessões com poucas pessoas tornariam os ingressos muito mais caros. "Entendi que eu não quero me apresentar só para uma mínima fatia da sociedade. A arte precisa ser de mais fácil acesso, então decidi que eu iria até as pessoas", conta.

A solução encontrada para este ano foi gravar um espetáculo inédito para ser lançado online. Ele garante que as pessoas poderão pagar o que quiserem para terem acesso ao conteúdo, mas com preço mínimo estipulado em R$ 30. "Ou seja, quem quiser poderá assistir a um show internacional inédito e exclusivo de Natal, em casa com a família toda, por R$ 30."

Para além da nova fase da carreira, que incluiu ainda a medalha de ouro nos Jogos Mundiais em 2013 e quatro pódios em Campeonatos Mundiais, ele garante que se sente realizado nas competições esportivas e agora quer voar com seu Zbura. "Eu tive uma carreira que começou cedo e foi longa o suficiente para eu conquistar o que sempre almejei e parar no meu tempo. Sinto que não ficou nada para trás", diz.

Marcel acredita que sua arte pode inclusive revelar novos atletas no futuro, para seguir o seu legado na patinação artística. "Como o número de praticantes está diretamente ligado ao interesse das pessoas no esporte, penso que espetáculos ajudam. Eu mesmo comecei após assistir a um deles. É importante ter também eventos e atletas vencendo campeonatos, para que os pequenos tenham referências. A patinação é uma arte, pois além da parte esportiva que são os saltos e os giros, há dança, figurinos e cenários", conclui.

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