Marcelo Chierighini, a nova estrela nas piscinas do Brasil

Aos 22 anos, paulista de Itu superou o início tardio na natação para ser o brasileiro classificado no maior número de provas no Mundial de Barcelona, em agosto

Amanda Romanelli, O Estado de S. Paulo

02 Junho 2013 | 08h00

SÃO PAULO - Marcelo Chierighini viveu sua adolescência na cidade de Itu, no interior paulista. Com 16 anos, perto de escolher que caminho seguir na vida, estava um tanto perdido. "Não sabia do que eu gostava, o que iria fazer na faculdade, no que iria trabalhar." Hoje, aos 22 anos, classificado para quatro provas no Mundial de Esportes Aquáticos de Barcelona, no fim de julho – é o brasileiro que mais vezes vai cair na água no torneio –, não tem dúvidas de sua escolha. "A natação veio na hora certa."

 

Dono do sétimo melhor tempo do ano nos 50 m livre (21s88) e do quarto nos 100 m livre (48s11), o nadador despontou tardiamente para o esporte. Em meio às indefinições da juventude, cedeu aos convites do irmão, praticante de triatlo e natação, para ir a um treino na piscina. Fez um treino que evidenciou o seu talento para a velocidade. E decidiu tentar seguir uma carreira no esporte.

 

"Realmente, comecei tarde. A minha vida inteira fiz aula de natação, mas era só para fazer uma atividade física mesmo. Meu irmão sempre me incentivava a dar uma treinada, até que fui com ele e fiz um tiro de 50 m. Daí em diante, as coisas começaram a engatar."

 

Para quem havia assistido do sofá a competição de natação do Pan do Rio, em 2007, uma Olimpíada era algo distante. Mas, cinco anos depois, Marcelo estava em Londres disputando o revezamento 4 x 100 metros.

A trajetória de Marcelo tem sido meteórica. Do primeiro treino, foi para a seleção de Itu. Em 2008, foi contratado pelo clube Pinheiros para, no fim de 2010, ganhar a medalha de bronze no 4 x 100 m no Mundial de Dubai, em piscina curta (25 m). Nesse período, não esquece daquele que reputa como o maior responsável pela sua entrada no alto nível: o técnico Felipe Domingues. "Esse cara fez com que eu me tornasse um nadador rápido. Foi um marco na minha carreira, um treinador excepcional."

 

No início de 2011, Marcelo cairia nas mãos de outro técnico de reconhecida competência: Brett Hawke. O jovem nadador seguiu os passos de Cesar Cielo e foi para os EUA, treinar com o australiano na Universidade de Auburn.

 

A cidadezinha do Alabama, que virou uma das mecas da velocidade, chamou a atenção do brasileiro justamente por causa dos resultados do compatriota. Mas, ao contrário de Cesar, que foi recrutado no Brasil, Marcelo teve a ajuda de uma agência de intercâmbio. Ele estuda Administração Pública, depois de passar pelos cursos de Negócios e Espanhol, e deve se formar em 2015.

 

FATOR SURPRESA

Com bons resultados nos torneios universitários americanos nesta temporada, Marcelo desembarcou no Rio no fim de abril para disputar o Troféu Maria Lenk, seletiva para o Mundial de Barcelona. O objetivo era conseguir, pela primeira vez, a classificação para provas individuais em um grande campeonato.

 

"Nadei muito forte na Conferência e no NCAA e sabia que, com os tempos que tinha feito nas jardas, seria rápido também na piscina longa. Meu técnico e eu sabíamos que iria nadar bem no Maria Lenk. Não sabia se pegaria uma vaga, mas estava confiante."

 

Para sua "sorte", Marcelo enfrentou Cesar Cielo e Bruno Fratus, finalistas olímpicos dos 50 m, fora da melhor forma física. "Eu sabia que era a minha chance de chegar próximo deles."

 

Com o melhor desempenho entre os velocistas no torneio nacional, Marcelo se classificou para quatro provas – 50 m, 100 m, 4x100 m livre e medley. Nas provas individuais, especialmente nos 50 m, vê chances de chegar ao pódio. Aposta, em si próprio, como um azarão.

 

"A prova está boa para mim, apesar do nível altíssimo. Mas eu vou como franco atirador, não tenho favoritismo nenhum, porque sou relativamente novo no cenário internacional. Isso é bom para mim."

 

A expectativa, porém, é que Marcelo Chierighini atinja o auge de sua técnica e forma física na Olimpíada do Rio, em 2016, quando terá 25 anos. "Essa é a aposta do meu técnico, que acha que vou estar no meu melhor, totalmente preparado para aguentar a pressão, ir lá e fazer. Mas não dá para prever o futuro."

 

Ranking de 2013 dos 50 m livre

1 - James Magnussen (AUS) - 21s52

2 - Florent Manadou (FRA) - 21s55

3 - Cesar Cielo (BRA) - 21s57

4 - Nathan Adrian (EUA) - 21s70

5 - Vladimir Morozov (RUS) - 21s72

6 - Fred Bousquet (FRA) - 21s73

7 - Marcelo Chierighini (BRA) - 21s88

Roland Schoeman (AFS) - 21s88

 

Ranking de 2013 dos 100 m livre

1 - James Magnussen (AUS) - 47s53

2 - Vladimir Morozov (RUS) - 47s93

3 - Cameron McEvoy (AUS) - 48s07

4 - Marcelo Chierighini (BRA) - 48s11

Nathan Adrian (EUA) - 48s11

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