Em Pequim, atletismo tem pior desempenho em Mundial em dez anos

Em Pequim, atletismo tem pior desempenho em Mundial em dez anos

Só Fabiana Murer e Marcha Atlética tiveram bons resultados

DEMÉTRIO VECCHIOLI, Estadão Conteúdo

30 Agosto 2015 | 11h04

Para Fabiana Murer, o Mundial de Pequim foi melhor do que o de Moscou, há dois anos, porque na China ela foi ao pódio e na Rússia, não. Mas, para o atletismo brasileiro como um todo, apesar da medalha de prata no salto com vara, a participação no Ninho do Pássaro foi a pior em 10 anos.

Afinal, Murer foi exceção numa delegação em que a regra foi ficar na metade de baixo da classificação nas fases eliminatórias, longe das finais, e com marcas piores do que as obtidas no Troféu Brasil, por exemplo. Muitos foram melhor no Campeonato Paulista do que no Mundial.

E isso se refletiu diretamente no número de finais obtidas pelo Brasil. Foram apenas três, com Fabiana Murer, Augusto Dutra (também no salto com vara) e Keila Costa (salto triplo). Enquanto a primeira ganhou medalha de prata, os demais não repetiram as melhores marcas da temporada e acabaram eliminados de forma precoce.

O critério que aponta que o Brasil teve seu pior Mundial em 10 anos é o número de classificações entre os oito primeiros. A Associação das Federações Internacionais de Atletismo (IAAF) utiliza tal critério, que ela chama de quadro de classificações, dando oito pontos para o primeiro lugar, sete para o segundo e um para o oitavo.

Nesse quadro, o Brasil foi só o 24º colocado, com 13 pontos. Pontuou com Fabiana Murer (sete pela prata no salto com vara), Caio Bonfim e Erica Sena (ambos ganharam três pontos por terem ficado em sexto na marcha atlética de 20km).

Com apenas três classificações entre os oito primeiros, a delegação brasileira igualou a frágil campanha de Helsinque, em 2005, quando não ganhou nenhuma medalha e somou apenas oito pontos. Na Finlândia, também pontuou em três provas.

Em Mascou, há dois anos, o Brasil fez boa campanha, pontuando em sete provas, ainda que não tenha conquistado nenhuma medalha - foram dois quintos, dois sextos e dois sétimos lugares, além de um oitavo. A sensação era de que a delegação havia ganhado em consistência, para que em Pequim fosse dado um passo até a medalha.

Na China, além dos finalistas, o Brasil só teve bons resultados com João Vitor Oliveira (18º nos 110m com barreiras, com recorde pessoal e índice olímpico) e Rosângela Santos (12ª nos 100m e 13ª nos 200m). Nos 400m rasos, Henderson Estefani e Hugo Balduíno fizeram suas melhores marcas da temporada, mas ficaram na fase eliminatória.

Nos revezamentos, o Brasil não conseguiu nenhuma classificação para a final, menos de quatro meses depois de obter feito contrário no Mundial de Revezamentos das Bahamas, quando classificou seus quatro times para a Olimpíada.

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