Marco do fracasso

Sempre houve tensão entre Andrés Sanchez e Marco Polo Del Nero. Sempre! Um é corintiano, outro palmeirense. Não que o Palmeiras para Marco Polo bata tão fortemente em seu coração quanto o Corinthians para Andrés Sanchez. Nem que Marco Polo, candidato à presidência do Palmeiras em 1989, tenha feito bem algum dia a seu clube.

Paulo Vinícius Coelho, O Estado de S.Paulo

25 de novembro de 2012 | 02h06

Agora, faz mal à seleção! Inacreditável a história da demissão de Mano Menezes. Na quinta-feira, surgiu a história de que a guilhotina estava em curso. Recebi telefonema da redação da ESPN falando sobre o caso. Conversei com Mano na manhã seguinte. Ele não sabia de nada.

A irritação de Andrés Sanchez na entrevista coletiva da tarde de sexta também evidencia que a demissão partiu de Marin. E este é ordenado por Del Nero.

Ou por que razão a reunião aconteceria na Federação Paulista, não na CBF? Quando Ricardo Teixeira saiu, deixou a CBF loteada. As relações políticas eram atribuição de Marco Polo. As seleções ficavam com Andrés.

Os dois nunca se toleraram, mas se Marco Polo avançasse em direção às seleções, Andrés poderia revidar.

O jogo político dos clubes ele dominou, poderia propor a criação da liga, o avanço em direção à organização do campeonato.

E se Andrés fizesse isso, Marco Polo avançaria em direção às seleções. Por que Marco Polo rompeu a corda primeiro? Talvez por perceber que Andrés Sanchez está fragilizado no Corinthians e seu clube não lhe dá mais condições de comandar nada com os clubes. Talvez...

Quem paga o pato é a seleção. Das 19 campeãs do mundo, só cinco tiveram técnicos com menos de três anos de trabalho. Felipão é o nome de Marco Polo e foi um dos que conseguiram superar a adversidade da falta de tempo. Mas hoje, dois meses depois de ser demitido do Palmeiras por levá-lo à zona de rebaixamento, a situação é diferente.

O descaso de Marco Polo é tão grande com seu clube que nem sequer a cogitação de culpa de Felipão ele é capaz de fazer! Mas o descaso com a seleção é pior. Um fiasco em 2014 pode causar crise jamais vista no futebol brasileiro. Jamais! Nem depois da derrota de 1950.

A seleção não brilhava com Mano Menezes, é fato. Mas se ajeitava.

Reveja o jogo contra a Colômbia. Nem uma bola saiu da defesa com chute longo. Tudo pelo chão, todas as jogadas trabalhadas. A distância entre as linhas diminuiu. O Brasil jogava o futebol que se pratica entre as principais seleções. Os resultados oscilavam, em parte pela juventude excessiva, em parte porque é assim no mundo todo.

A Suécia venceu a Inglaterra e o Brasil ganhou da Suécia lá dentro. A Bélgica ganhou da Holanda, que ganhou da Romênia, que venceu a Bélgica. Diferente, só a Espanha.

Ou o Brasil. Porque aqui, quando o time ganha demais, o presidente da CBF muda.

Ou melhor, quem muda é o presidente da Federação Paulista.

Hoje, pelo menos você já sabe que a seleção brasileira subverterá a ordem. Quando um país perde a Copa do Mundo em casa, a culpa sempre é do técnico.

No Brasil, se ganhar, pode-se dividir o mérito, inclusive para o próximo técnico - talvez Felipão. Se perder, a culpa é do presidente da Federação Paulista de Futebol.

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