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Wilton Júnior/AE - 3/11/2011
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Março, mês de decisões e tensão para os organizadores da Copa

Vários temas sobre o Mundial que ainda estão longe do consenso devem ser abordados por governo e Fifa; e a aprovação da Lei Geral pode ficar para abril

ALMIR LEITE, O Estado de S.Paulo

19 de fevereiro de 2012 | 03h02

SÃO PAULO - A turbulência criada pelas polêmicas envolvendo o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, nos últimos dias, pode aumentar nas próximas semanas, desta vez por conta do Mundial. Isso porque o mês de março está chegando e a expectativa é de que várias decisões relacionadas à Copa de 2014 sejam tomadas. A mais importante delas é em relação a aprovação da Lei Geral - que já corre risco de ficar para o mês de abril -, mas também haverá definições sobre centros de treinamentos, das fan fests, além do slogan da competição.

A cartolagem da Fifa virá ao Brasil para mais uma reunião de trabalho com o COL - Comitê Organizador Local, que também é presidido por Ricardo Teixeira -, e uma nova rodada de vistorias às obras das arenas da Copa será realizada.

Dessa inspeção pode até mesmo sair a confirmação da participação da Fonte Nova, em Salvador, na Copa das Confederações de 2013, embora esta seja uma possibilidade remota. A Fifa estabeleceu o mês de junho para uma definição e só vai antecipá-la se tiver total segurança de que a construção do estádio não corre risco de atrasos. A greve feita pelos operários no início do mês causou preocupação.

A Arena Pernambuco, outra que depende de confirmação para 2013, ainda não deslanchou o suficiente para dar segurança aos dirigentes da entidade.

Mas o que interessa mesmo à Fifa é a aprovação da Lei Geral da Copa. Em visita ao Brasil em janeiro, o secretário-geral da entidade, Jérôme Valcke, disse que já era hora de "a criança nascer''. O parto, no entanto, continua complicado.

Esse é um tema que já deveria ter sido resolvido há bastante tempo e a indefinição causa mal-estar e tensão nas relações entre a entidade e o governo. A irritação tem tudo para aumentar, uma vez que na última versão do projeto, elaborada pelo relator Vicente Cândido (PT-SP), o artigo referente à responsabilidade civil por danos durante o Mundial ficou do jeito que o governo federal queria, o que não atende ao desejo da Fifa.

O texto diz que a União vai ser responsável por danos que causar por "ação ou omissão'', e também resultante de falhas na segurança, mas, nesse caso, apenas se a Fifa ou a parte prejudicada não tiverem responsabilidade sobre o ocorrido.

A exigência da Fifa é bem maior do que isso. A entidade queria (e ainda quer) que a União assumisse totalmente a responsabilidade até por desastres naturais que venham a lhe causar prejuízos. O secretário-geral Jérome Valcke chegou a dizer que a concordância do governo era fundamental. Mas, no início do mês, a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvati, deu um "xeque-mate'' no tema. "Nem pensar, isso é inegociável, não tem conversa'', disse.

TÁTICA

A Fifa foi avisada da posição do governo, ameaçou espernear, mas optou pelo silêncio. Talvez volte a carga nas reclamações se perceber que a aprovação da Lei Geral, que espera para meados de março, confiando nos sinais recebidos do governo - no momento, o projeto ainda está na comissão especial da Câmara e deve ser votada no dia 28 -, pode ser protelada novamente.

Mas questões como a venda de bebidas alcoólicas, a meia-entrada para idosos e a cota de ingressos da categoria 4, a US$ 25 (RS 43), parecem livres de novos sobressaltos.

Igualmente no próximo mês, durante a visita da cúpula da Fifa ao Brasil - o presidente Joseph Blatter também pretende vir - poderão ser assinados os primeiros contratos com locais que servirão de centro de aclimatação e treinamento para seleções no período da Copa. O COL continua visitando as cidades e estádios candidatos, mas algumas definições, sobretudo na região sudeste, já foram feitas.

SLOGAN

Uma certeza para março é a divulgação do slogan da Copa no Brasil - o mascote talvez também seja escolhido. Valcke pretende discutir o tema com autoridades do País, para que a frase escolhida reflita com precisão a integração dos brasileiros das várias regiões, a alegria do povo e importância que o futebol tem para a nação.

A intenção é que a apresentação do slogan seja feita em uma cerimônia com a presença da presidente Dilma Rousseff e de Blatter, o mandatário da Fifa. Mas isso pode não ocorrer (leia texto abaixo).

Já a divulgação dos locais onde ocorrerão as fan fests será algo basicamente protocolar, pois quase todas as cidades já escolheram os seus. Em São Paulo, por exemplo, será no Vale do Anhangabaú.

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