Marcos Assunção e Kleber vivem dias de inferno astral para não deixar o Canindé virar rival

Palmeiras tenta evitar que pressão pela falta de vitória afete excelente retrospecto no estádio, hoje contra o Ceará

Daniel Batista, O Estado de S.Paulo

22 de setembro de 2011 | 03h03

Jogar no Canindé tem sido bastante positivo para o Palmeiras na temporada. Mas o que pode levantar também pode derrubar. A pressão que os adversários têm sofrido quando enfrentam a equipe na casa alugada pela Portuguesa pode se virar contra o Alviverde hoje, às 20h30, diante do Ceará.

O Palmeiras não vence há cinco jogos. Entretanto, no Canindé, o retrospecto é excelente. Em 10 partidas foram oito vitórias e dois empates, sendo 21 gols marcados e três sofridos. Os próprios jogadores admitem que atuar no Canindé é bom pelo fato de a torcida estar mais perto do gramado. Mas, pelo momento, isso pode ser um problema.

"Sabemos dessa pressão, por isso nós temos de impor o nosso ritmo e jogar como jogamos o segundo tempo contra o Avaí", disse o volante Chico, lembrando da atuação no último jogo,

Já Maurício Ramos tenta minimizar a pressão, mas admite ser difícil esquecer a torcida. "Sendo xingado ou aplaudido nós temos de focar o jogo. A gente corre por eles (torcedores), mas isso não pode atrapalhar."

Para tentar dar um chute na crise, Felipão resolveu mandar o time para o ataque. No coletivo ontem, o treinador fez várias alterações e deixou claro que vai montar uma formação bem ofensiva, com Maikon Leite, Fernandão, Kleber e Luan, que vai atuar mais recuado, no meio de campo. "Acho que o Ceará vai nos atacar, então temos de ir para cima mesmo", explicou Luan. No gol, Deola ocupa o lugar de Marcos, poupado, e Gabriel Silva volta ao time, após suspensão.

No Ceará, o técnico Estevam Soares não conta com o atacante Osvaldo, suspenso.

Guerra fria. Fora de campo o clima também é quente no Palmeiras. A rivalidade entre Felipão e Roberto Frizzo, vice-presidente de futebol, agitou o clube nos últimos dias. O presidente Arnaldo Tirone, em entrevista ao Estado, confirmou que não deve fazer mudanças na comissão técnica ou na diretoria até o fim do ano.

"O Felipão ficou nervoso com a manifestação da torcida, mas já conversamos e ele me disse que está feliz e não quer sair." Tirone garantiu que o time é bom. "Faltam algumas peças, mas o time é bom." Os jogadores tentam não se envolver com a polêmica. "Os problemas externos não interferem em nada", afirmou Luan.

Kleber e Marcos Assunção vão entrar em campo hoje, contra o Ceará, um pouco mais pressionados do que o restante do elenco. Os dois vivem um inferno astral no clube. O volante pelo menos tem jogado bem e participado dos gols. Kleber nem isso. A torcida promete pegar ainda mais no pé da dupla hoje.

Kleber não marca um gol pelo Brasileiro há três meses. A última vez que balançou a rede foi contra o Avaí, no primeiro turno, quando fez dois na goleada por 5 a 0, no Canindé, palco do jogo de hoje. Neste período ele disputou 12 jogos e nada de gol. A expectativa é que o atacante faça as pazes com a rede justamente onde parece ter brigado com ela.

No caso de Assunção, seu problema não é o jejum. Pelo contrário. Nos últimos 11 jogos, o Palmeiras venceu apenas um e neste período fez dez gols. Deles, o volante participou direto de sete deles. Marcou dois e deu assistência para mais cinco.

Mas tudo isso não parece ter sido suficiente para a torcida lhe dar crédito. Na partida contra o Avaí, ele foi, ao lado de Kleber, o jogador mais vaiado e xingado pelos torcedores. Alguns palmeirenses chegaram até a atirar moedas em direção aos dois, os chamando de mercenários.

No início de agosto, Assunção chegou a se reunir com representantes da torcida uniformizada Mancha Verde para tentar selar uma paz. Durou alguns dias, mas as críticas já voltaram. A uniformizada diz que o volante tem exagerado nas baladas ao lado de Luan, outro alvo da torcida.

Assunção lamenta a perseguição. "Fico chateado com essa situação, mas tenho que continuar o meu trabalho e tentar não dar bola para essas coisas", disse o volante, que ontem ficou por cerca de 15 minutos treinando cobranças de falta ao lado de Pedro Carmona e seu aproveitamento foi excelente.

Os jogadores e até a diretoria saem em defesa da dupla e admitem não entender os motivos de tanta crítica. No caso de Kleber é evidentemente. Embora demonstre raça nos últimos jogos, o jejum de gols atrapalha. O vice-presidente de futebol, Roberto Frizzo, culpa o posicionamento como o responsável pelo atacante parar de marcar gols.

"O Kleber está mais sozinho e tem que ajudar na marcação. A entrada do Fernandão fez com que ele tivesse que sair mais da área e é natural diminuir os gols", afirmou o dirigente.

Moral com o treinador. Felipão também nem cogita a possibilidade de sacar Kleber do time. "Ele nos tem ajudado bastante e se sacrificado pelo time", explicou o treinador. Quanto a Assunção, além do que ele faz com a bola no pé, seu poder com as palavras perante o elenco também é diferenciado.

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