Maré vermelha toma ruas de Madri

Festa da Fúria começou no palácio real e cruzou a madrugada com desfile em carro aberto, shows e milhares de vuvuzelas

, O Estado de S.Paulo

13 de julho de 2010 | 00h00

MADRI

Depois de 30 dias de concentração, jogos, tensão e disputa, a seleção espanhola desembarcou ontem em Madri para encarar uma maratona bem mais prazerosa: dividir a glória pelo título inédito com os 47 milhões de torcedores que seguiram de longe a campanha da Fúria na África do Sul.

As ruas da capital espanhola foram tingidas desde cedo por uma maré de camisas vermelhas e bandeiras da Espanha, anunciando a festa que teria início às 14h38 (9h38, hora de Brasília), quando a seleção espanhola desembarcou no aeroporto internacional de Barajas, em Madri, trazendo a taça.

Mas antes de cair nos braços do povo, a Fúria fez duas escalas cerimoniais. A primeira, no Palácio de Oriente, residência oficial do rei Juan Carlos, onde os jogadores foram recebidos pela família real. Em seguida, o grupo seguiu para La Moncloa, sede do governo, onde mostrou o troféu da Copa ao primeiro-ministro José Luis Rodríguez Zapatero.

"Vocês conseguiram unir todos os espanhóis e tornar realidade nossos maiores sonhos", disse o rei. "Projetaram o nome da Espanha em todo o mundo e são um exemplo de esforço e superação para as novas gerações", concluiu Juan Carlos numa cerimônia onde as estrelas de verdade foram as meninas Leonor e Sofia, de 3 e de 4 anos, filhas do príncipe Filipe e da princesa Leticia.

Elas pegaram a taça das mãos dos jogadores e fizeram pose para os fotógrafos.

Estrela no peito. O premiê Zapatero deixou de lado por um momento a complexa negociação para libertar um grupo de 52 prisioneiros políticos cubanos, que devem chegar hoje à Espanha, para saudar os jogadores. "Vocês venceram por terem sido os melhores, por jogar em equipe, por jogar limpo e manter essa bela atitude dentro e fora de campo", disse Zapatero, que recebeu de presente uma camisa da seleção com a estrela de campeão mundial, autografada por todos os jogadores.

O desfile em carro aberto pelas ruas da capital espanhola teve início às 20h (15h, hora de Brasília) e incendiou os fãs da Fúria. Os jogadores percorreram as ruas de Madri agitando bandeiras de suas regiões de origem e erguendo a taça. O técnico Vicente del Bosque cumpriu a promessa feita antes do Mundial e levou consigo o filho Álvaro, que tem Síndrome de Down.

O desfile terminou no Rio Manzanares, onde a torcida viu shows de artistas nacionais, antes da chegada da seleção.

Vestiário. A comemoração com a família real teve início ainda nos bastidores da semi-final, quando a rainha Sofia, de 72 anos, surpreendeu a todos e desceu ao vestiário da Fúria logo depois do fim do jogo contra a Alemanha. Os jogadores interromperam a gritaria e esperam perfilados para saudar a rainha, em meio aos meiões e camisas espalhados pelo chão. O zagueiro Carles Puyol - que fez o gol da vitória - apareceu desavisado no meio da "cerimônia", ainda com a toalha enrolada no corpo.

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