Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Maresias surge como plano B para etapa brasileira do Mundial de Surfe

Evento, a princípio, está confirmado para Saquarema em maio

Paulo Favero, O Estado de S. Paulo

28 de dezembro de 2016 | 07h03

A Liga Mundial de Surfe (WSL, da sigla em inglês) já anunciou os locais das 11 etapas do Circuito Mundial masculino no próximo ano e confirmou Saquarema, no Estado do Rio de Janeiro, como palco do evento brasileiro da elite masculina e feminina, entre 9 a 20 de maio. Só que, caso algum problema aconteça, já existe um plano B.

Maresias, em São Sebastião, poderia tomar o lugar de Saquarema caso os dirigentes não consigam as garantias para a realização do evento. A praia onde moram dois surfistas da elite - Gabriel Medina e Miguel Pupo - costuma ter boas ondas no período de realização e conta com o apoio do novo prefeito eleito de São Sebastião, Felipe Augusto, do PSDB.

Ele é do mesmo partido do governador paulista Geraldo Alckmin, que também estaria disposto a trazer a principal etapa brasileira do Circuito Mundial de Surfe para o Estado. Na avaliação deles, o evento traria recursos e atrairia patrocinadores. Desde o título mundial de Medina, em 2014, Maresias ganhou status de meca do surfe no Brasil.

Um fator que pode pesar é a crise econômica e política no Rio. Apesar de o município de Saquarema estar com as finanças em dia - é um caso raro no Estado - e já ter quitado o salário e o 13º dos servidores, existe uma preocupação de como a economia local estará no próximo ano.

A WSL teve de lidar com um grande problema em 2015 com o evento prime de surfe em Saquarema, da divisão de acesso do Circuito Mundial, quando a empresa promotora Adding Sports & Entertainment não pagou a premiação dos atletas. Após mais de seis meses de negociação, a própria WSL pagou os US$ 250 mil.

"É extremamente decepcionante para nós que a promotora local não tenha cumprido suas obrigações com aqueles que competiram em Saquarema", disse na época Graham Stapelberg, EVP de Eventos e Competições da WSL. "O evento ocorreu em maio e este atraso resultou em dificuldades para muitos surfistas. O flagrante desrespeito da promotora para com o bem-estar dos atletas não só prejudica a carreira de alguns surfistas, como também coloca em risco o futuro das competições do Qualifying Series (QS) no Brasil."

Apesar da bronca, a WSL confirmou a mudança na etapa brasileira para o próximo ano, dando um voto de confiança para Saquarema, que possui ótimas ondas. Com isso, a cidade do Rio de Janeiro ficou fora do Circuito Mundial após seis anos - em 2010 a etapa nacional foi disputada em Santa Catarina.

Em um primeiro momento, a mudança para Saquarema foi festejada pelos atletas, que sabem que as condições do mar são melhores que a das praias que receberam o evento em anos anteriores. Se outra mudança for feita, levando a etapa brasileira para Maresias, no litoral paulista, o nível da qualidade das ondas também será alto e não faltará estrutura para os competidores.

Em novembro de 2015, Maresias recebeu o HD Oi São Paulo Open, uma etapa do QS de 10 mil pontos. Com premiação de US$ 250 mil, o evento teve patrocínio de Oi, HD e Banco do Brasil, copatrocínios de Construtora Nosso Lar, Vult Cosméticos, Back Fish e Rádio 89 FM, além de apoios do Governo do Estado de São Paulo e Prefeitura de São Sebastião.

Independentemente de como se desenrole as etapas em 2017, Maresias já se colocou à disposição para no futuro receber um evento do calendário do Circuito Mundial e tem boas chances de receber um QS 10.000 em 2017. Assim como outros destinos, realizar uma competição de surfe deste porte abre as portas para o turismo e serve de divulgação das belezas locais para todas as partes do mundo.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.