Maria Lenk: só metade do projeto em prática

Local será centro de treinamento de alto rendimento e núcleo de desenvolvimento, mas até agora tudo vai devagar

Leonardo Maia / RIO, O Estado de S.Paulo

25 de abril de 2011 | 00h00

Em janeiro do ano passado, o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) anunciou, conforme antecipou reportagem de O Estado, investimentos superiores a R$ 24 milhões para transformar o Parque Aquático Maria Lenk - ocioso desde o fim dos Jogos Parapanamericanos de 2007 - em uma instalação plenamente funcional, centro de treinamento para atletas de alto rendimento e núcleo de desenvolvimento de adolescentes. Tudo com vistas à Olimpíada do Rio em 2016. Porém, pouco mais de um ano depois, o plano ainda está pela metade.

Em fins de 2010, o Maria Lenk realmente foi reinaugurado com o nome de Centro de Treinamento Time Brasil. As seleções de nado sincronizado, tae-kwon-do e saltos ornamentais já utilizam as novas estruturas na preparação para Londres-2012. No entanto, o garimpo e a lapidação de novas promessas vão ficar no sonho.

O COB desistiu de criar um exclusivo Centro Olímpico de Desenvolvimento de Talentos (CODT), orçado em R$ 11,4 milhões, e que pretendia atender jovens entre 12 e 17 anos.

"O CODT mudou de conceito", conta Jorge Bichara, gerente de desenvolvimento de projetos especiais do Comitê. "O foco do COB é no alto rendimento. Cabe às federações e confederações, com nosso apoio financeiro e técnico, elaborar e colocar em prática ações de desenvolvimento do esporte na base", explica.

A estratégia adotada pelo COB é a de que é válido investir em quem pode dar retorno mais imediato ao País no quadro de medalhas. Mesmo sem espaço para a garotada, o Maria Lenk realmente passa por mudanças que permitirão aos atletas com destaque em suas modalidades contar com um local de treinamento de imersão total.

"Melhorou tudo, a estrutura é muito boa. Aqui há silêncio, ficamos sozinhas, podemos escutar as músicas e nos concentrar mais", elogia Michelle Frota, 25 anos, atleta da equipe adulta de nado sincronizado, que está desde janeiro no Maria Lenk. "A piscina aquecida permite que as meninas fiquem mais horas dentro d"água, principalmente na criação das coreografias", reforça Maura Xavier, técnica do solo e da equipe adulta.

Tais transformações ainda estão em estágio inicial. Apenas R$ 220 mil foram aplicados até o momento na adequação de uma sala para os treinos do tae-kwon-do, nado e na compra de equipamentos de musculação. Estão previstos o investimento de outros R$ 200 mil em alojamentos e R$ 300 mil em uma sala de força e condicionamento.

O mais esperado. Mas a grande menina dos olhos do COB é o Laboratório Olímpico, projeto que pretende equiparar a preparação dos atletas de ponta do Brasil com a das principais potências esportivas. Promessa também do ano passado, ainda está na fase de captação de recursos e aquisição de equipamentos. O prazo estabelecido para inauguração é dezembro deste ano.

Cerca de R$ 13 milhões serão arrecadados pela FINEP (Financiadora de Estudos e Projetos do Ministério da Ciência e Tecnologia), ligada ao Ministério da Ciência e Tecnologia. Os recursos são geridos pela Fundação Coppetec (Coordenação de Projetos, Pesquisas e Estudos Tecnológicos) - instituição ligada à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) -, que também cuida do processo de licitação das obras de adequação e compra de equipamentos.

Neste laboratório serão realizadas pesquisas nas áreas de bioquímica, biomecânica, fisiologia do exercício, fisioterapia esportiva, medicina esportiva, entre outras. Segundo Bichara, alguns equipamentos já foram adquiridos e, hoje, o COB os leva aos locais de treinamento de certos esportes, enquanto a estrutura não é inaugurada.

Durante as Olimpíadas de 2016, o Maria Lenk será utilizado apenas nas disputas de polo aquático e saltos ornamentais. Para as provas de natação será construído um novo parque aquático, com maiores dimensões e capacidade de público.

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