Maria Suelen volta a perder de cubana e fica com prata

Idalys Ortiz venceu a brasileira após aplicar uma imobilização

DEMÉTRIO VECCHIOLI, Agência Estado

31 de agosto de 2013 | 18h00

RIO - O judô feminino brasileiro fechou o Mundial do Rio, neste sábado, com sua segunda medalha de prata. O feito foi de Maria Suelen Altheman, que perdeu na final da categoria peso pesado (mais de 78kg) para a cubana Idalys Ortiz, sua maior algoz. Antes, o Brasil já havia conquistado quatro medalhas: ouro para Rafaela Silva (até 57kg), prata para Erika Miranda (até 52kg) e bronze para Sarah Menezes (até 48kg) e Mayra Aguiar (até 78kg).

Na luta da medalha, a brasileira encarou uma rival que ela não sabe bater. Ortiz venceu os quatro confrontos anteriores entre as duas, inclusive nas oitavas de final do Mundial de Paris e na final dos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, ambas em 2011. Agora, confirmou a fama de algoz.

Na luta do ouro, mesmo com enorme apoio da torcida, Suelen não conseguiu impor seu jogo contra Ortiz. Sofreu uma punição depois de cerca de 2min30s de luta. Em seguida, foi derrubada pela rival, que se manteve por cima para ganhar por imobilização, depois de 3min19s de luta.

Suelen, como é chamada pela família e na seleção, chegou ao Mundial como número 1 do ranking e com enorme possibilidade de conquistar uma medalha. Isso porque, numa categoria onde as surpresas são menos constantes, apenas 21 judocas se inscreveram. Assim, Suelen fez apenas quatro lutas até subir ao pódio.

Quando o sorteio colocou a japonesa Tachimoto do lado oposto da chave, ao lado de Ortiz, Suelen soube que faria a final contra uma das duas. Por isso, passou a focar a preparação para o Mundial simulando confronto contra elas. Sabia que iria longe.

Antes, precisou fazer três lutas. Superou o nervosismo inicial vencendo Gulzhan Issanova (Casaquistão) por ippon, em 3min57. Na sequência, precisou de 12 segundos até cair sobre a coreana Eunkeyeong Kim. Depois foi só se manter por cima para vencer por imobilização.

Na semifinal, enfrentou a francesa Emilie Andeol, contra quem tinha histórico negativo. Numa luta arrastada, conseguiu que a adversária fosse punida primeiro e depois administrou a luta. Nas duas vezes em que foi derrubada, obteve o contra-ataque. Apesar das reclamações do técnico francês, a brasileira não foi punida por falta de combatividade e acabou vencedora, levantando o Maracanãzinho como nunca antes neste Mundial.

A medalha de Suelen vem 10 anos depois de seu marido e técnico, Carlos Honorato, conquistar o bronze no Mundial de Osaka (Japão). Ele, que também foi medalhista de prata na categoria até 90kg nos Jogos de Sydney, em 2000, começou a namorar com a peso pesado há sete anos.

Aposentado dos tatames desde 2010, Honorato é um dos técnicos de Suelen no Instituto Rogério Sampaio, em Santos. Neste sábado, ele estava na arquibancada do Maracanãzinho, apoiando a esposa.

A medalhista de prata no Mundial começou no judô aos 7 anos, em Amparo, no interior de São Paulo. Ainda jovem, aos 15 anos, foi para a equipe de São Caetano, onde treinou até 2010. Casada com Honorato, seguiu com ele para Santos, onde vivem até hoje.

Na torcida para Suelen também estava a mãe dela. No Maracanãzinho, Dona Rita, uma das 48 pessoas da caravana de Amparo, viu a filha judoca lutar pela primeira vez. Deu sorte e assistiu à inédita medalha de prata da brasileira. Agora é esperar que ela volte ao Rio para ser pé quente também em 2016.

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