Marial Guor, o atleta sem nação

Maratonista conseguiu fugir do Sudão para o Egito e foi buscar refúgio político nos EUA, onde treina desde então

LONDRES, O Estado de S.Paulo

28 de julho de 2012 | 03h06

Marial Guor passou parte da infância em um campo de trabalho forçado. Aos 8 anos, foi sequestrado por milicianos armados para se tornar uma criança soldado. Escapou depois de passar a noite em um buraco. De volta ao seu vilarejo, descobriu que 28 membros da sua família tinham sido mortos. A guerra civil no Sudão deixou 1,5 milhão de mortos.

Guor conseguiu fugir do país para o Egito e foi buscar refúgio político nos Estados Unidos, onde treina desde então. Classificado para a Olimpíada, o maratonista disputará os Jogos de Londres sem representar um país, mas sob a bandeira do Comitê Olímpico Internacional.

A região sul do Sudão, de onde vem, conquistou a independência há um ano, mas ainda não tem um Comitê Olímpico local e precisa ser reconhecido oficialmente pelo COI. Como não é cidadão americano, embora tenha um green card que o permite viver legalmente no país, não poderia competir sob a bandeira dos EUA. O atleta recusou a oferta de participar dos Jogos pelo antigo Sudão. "Seria um golpe contra a minha família."

Outras ocasiões. Não é a primeira vez que o COI permite a participação de atletas independentes. Em 1992, nos Jogos de Barcelona, a permissão foi dada a atletas da Iugoslávia. A república socialista havia quebrado com o fim da Guerra Fria. Eles levaram três medalhas. Em 2000, esportistas do Timor Leste, devastado pela guerra civil e em processo de independência, também usaram a bandeira do COI.

Outros dois atletas das Antilhas Holandesas, dissolvidas em 2010, disputarão este ano sob a mesma condição. Philipine van Aanholt, atleta da vela, e o judoca Reginald de Windt, As Antilhas Holandesas foram anexadas em 2010. Ambos também desfilarão sob o estandarte dos cinco anéis olímpicos por causa do desaparecimento de seu país, anexadas pela metrópole europeia. /A.C.

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