Ayrton Vignola/AE
Ayrton Vignola/AE

Marilson busca tetra, no novo trajeto

Se vencer a prova, hoje, às 17h30, atleta será o primeiro brasileiro a conquistar 4 vezes a corrida; adversários de alto nível e percurso prometem dificultar

AMANDA ROMANELLI, VALÉRIA ZUKERAN, O Estado de S.Paulo

31 de dezembro de 2011 | 03h03

SÃO PAULO - Um brasileiro vai ter de enfrentar fortes representantes da África para entrar para a história da São Silvestre. Se cruzar a linha de chegada na frente, Marilson Gomes dos Santos será o primeiro brasileiro tetracampeão da corrida, que terá a presença de aproximadamente 25 mil atletas e será transmitida pelas TVs Globo e Gazeta.

Mas, para que isso seja possível, o bicampeão da Maratona de Nova York terá de superar adversários com um currículo respeitável, como os quenianos Martin Lel (bicampeão da Maratona de Londres) e Matthew Kisori, o etíope Tariku Bekele (irmão de Kenenisa Bekele, campeão olímpico dos 5 e 10 mil metros) e o marroquino Najim El Qady. Também terá adversários brasileiros experientes, como Damião Anselmo de Souza.

A São Silvestre não será difícil para Marilson apenas por causa dos rivais. O percurso deste ano sofreu modificações que levaram a chegada da Avenida Paulista para o Obelisco do Ibirapuera e tiraram do vencedor das edições de 2003, 2005 e 2010 a vantagem de traçar com maior facilidade a estratégia de competição.

Segundo o técnico de Marilson, Adauto Domingues, seu pupilo não pode ser considerado favorito porque teve menos tempo para treinar do que em 2010 - resultado da participação nos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara.

Ainda assim, a expectativa é otimista. "O nível é bastante aceitável, mesmo porque a cobrança em cima dele é bem grande."

Para Adauto, os quenianos serão as ameaças sérias na luta pelo tetra, apesar das incógnitas pela mudança de percurso. "Pensei que o fato de Lel disputar a Maratona de Dubai em janeiro faria dele o principal adversário, mas, depois do que ouvi na entrevista coletiva, acho que o Kisori também pode ser perigoso", opina.

A torcida do treinador é para que as mudanças tenham mantido os tradicionais desafios da São Silvestre. "O Marilson normalmente se dá bem em percursos difíceis, acidentados. Ele não é um atleta muito veloz e a mudança de ritmo sempre é positiva para ele", pondera Adauto.

Marilson mostrou respeito aos adversários. "Todos os africanos que estão aqui são francos favoritos, incluindo o Lel. Ele vai fazer uma maratona em janeiro e, por isso, precisa estar na melhor forma (física) e é favorito."

Outros africanos também não foram desprezados. "Todos têm marcas expressivas. O irmão do Bekele é muito rápido nos 5 mil, tem o Duncan (Kibet, do Quênia), o Kisori também tem uma marca muito expressiva, a segunda melhor do ano da meia-maratona (58min46). São todos corredores de altíssimo nível, difíceis de reunir em uma competição."

Os africanos mostraram respeito com os anfitriões da São Silvestre. "Os brasileiros são sempre competidores fortes. Eu me lembro que (Marilson) Dos Santos tem sido um dos mais desafiantes em maratonas", ressalta Lel. "Para mim, quenianos, etíopes e brasileiros estão no mesmo patamar", opina Bekele.

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