Marilson corre ''sozinho'' contra quenianos

Brasiliense de 33 anos é a única esperança do Brasil para superar a força dos africanos, que venceram as últimas três edições da tradicional corrida

Bruno Deiro, O Estado de S.Paulo

31 de dezembro de 2010 | 00h00

Afastado desde 2005, Marilson Gomes dos Santos, de 33 anos, volta hoje à São Silvestre, a partir das 16h47, para esquentar a disputa entre brasileiros e quenianos na corrida paulista, desequilibrada nos últimos anos pela falta de atletas nacionais à altura dos africanos. Se vencer o percurso de 15 quilômetros pelas ruas da capital, Marilson será o primeiro tricampeão do País na fase internacional da prova, iniciada em 1945.

O bicampeão da Maratona de Nova York é o único brasileiro que pode evitar o tri consecutivo do queniano James Kipsang Kwambai, de 27 anos, que nas duas vezes em que veio a São Paulo ganhou a prova (em 2008 e 2009). Os dois negam, porém, que haja duelo pessoal. "Eu o conheço muito bem. Não o temo e digo para ele não me temer", disse Kwambai. Marilson joga o favoritismo para o rival. "Há outros africanos que também vão dar trabalho. Vai ser uma prova forte e aberta, com muitas possibilidades. Mas Kwambai é franco favorito pelas marcas que fez."

Em Nova York, no início de novembro, o queniano chegou em 5.º (2h11min31) e levou a melhor sobre Marilson, que completou a prova 20 segundos depois, na 7.ª colocação. O bom desempenho, no entanto, mostra que os dois estão afiados para a corrida de hoje. "A exemplo dos anos em que ganhei (2003 e 2005), não fiz nada de muito diferente. Nunca faço treinamento específico para a São Silvestre", diz Marilson.

Longa espera. Ausente nas últimas quatro edições, Marilson diz que esperou para voltar em melhor forma física à São Silvestre. "Tive uma recuperação muito rápida da Maratona de Nova York. Sempre quis participar, mas não conseguia por alguns problemas." O técnico Adauto Domingos lembra que ele já esteve muito perto de voltar, mas desistiu na última hora. "Houve um ano em que abrimos mão da participação no dia 20 de dezembro, por causa de dores no tendão." Confiante na experiência de Marilson, Domingos aposta que o brasiliense poderá correr abaixo de 44 minutos e chegar perto do recorde do percurso - 43min12, do queniano Paul Tergat em 1995.

Marilson, porém, prevê um alto nível técnico. "Vai ser uma prova muito difícil. Além dos quenianos, tem os marroquinos (Abderrahime Bouramdane e Mohamed El Hashimi) que vêm forte. Eu tenho essa sorte, sempre entro em competições que têm adversários de peso", afirmou.

Correndo por fora. Último do País a vencer a São Silvestre, em 2006, o mineiro Franck Caldeira reconhece que vai brigar apenas por uma boa participação. "Vou fazer uma corrida diferente, mais pé no chão. Quero terminar esses 15 quilômetros. Torço para que o Marilson possa quebrar três ou quatro deles (quenianos) e me ajudar", brincou.

Neste ano, a medalha de participação foi entregue antecipadamente aos 21 mil corredores junto com o kit da prova, para facilitar a dispersão após o encerramento. Serão 142 atletas de elite no masculino e no feminino, 27 deles estrangeiros. A premiação nas duas categorias será de R$ 28 mil para o vencedor, R$ 14 mil para o 2º e R$ 7 mil para o 3º. O treinador do campeão ganhará bonificação de R$ 2,8 mil.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.