Marin aposta em uma dupla de peso

Presidente da CBF escolheu o treinador do penta para o lugar de Mano. E Parreira será o coordenador

Luiz Antônio Prósperi, O Estado de S.Paulo

29 de novembro de 2012 | 02h02

SÃO PAULO - Luiz Felipe Scolari assume o comando da seleção brasileira após dez anos e três meses da sua primeira passagem, quando conquistou a Copa do Mundo de 2002. Ao seu lado, volta outro campeão mundial, Carlos Alberto Parreira, técnico do Brasil na campanha do tetra em 1994. Parreira vai ser o coordenador técnico da seleção - o braço direito de Felipão. Os dois serão empossados por José Maria Marin, presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), nesta quinta-feira, em um hotel de luxo no Rio.

O treinador estreia no comando da seleção no dia 6 de fevereiro, no amistoso contra a Inglaterra, em Wembley. Ontem, também foi anunciado que no dia 2 de junho ele faz a revanche contra os ingleses no Maracanã. Sete dias depois, encara a França no Mineirão.

Marin fechou o acordo com Felipão na terça-feira e programou sua apresentação para esta quinta-feira. Às 11h21 desta quarta, o portal estadao.com.br revelou com exclusividade que Felipão havia sido contratado pela CBF para assumir o comando da seleção.

O treinador estava em Passo Fundo, no interior do Rio Grande do Sul, desde sábado, ao lado de familiares acompanhando sua mãe, que enfrenta uma série de problemas de saúde. E retornou nesta quarta a São Paulo a pedido do presidente da CBF.

Marin estava com pressa para definir o novo comandante porque, a partir de hoje em São Paulo, a Fifa abre o evento do sorteio dos jogos e grupos da Copa das Confederações de 2013 e o Brasil, anfitrião do torneio, não poderia se apresentar sem o treinador da seleção.

Fechado com Felipão, Marin também se apressou para ter Carlos Alberto Parreira no colegiado. Dono de um vasto currículo, com nove participações em Copas do Mundo desde 1970, Parreira aceitou de imediato ao chamado do presidente da CBF.

Felipão gostaria mesmo de contar com Parreira ao seu lado. E não é de hoje. Em 2010, durante a Copa do Mundo na África do Sul, o treinador recebeu o convite de Ricardo Teixeira, na época presidente da CBF, para suceder Dunga no comando da seleção. Luiz Felipe Scolari aceitou, mas pediu ao cartola para Parreira ser o coordenador técnico. Teixeira não concordou e Felipão preferiu declinar do convite.

Quatro anos depois, os dois se encontram com amplos poderes no comando do time nacional. Marin optou pela dupla para dar lastro à seleção. O dirigente entendia que Mano Menezes não tinha a menor empatia para conduzir a equipe ao título em casa. Com dois campeões mundiais à frente, avalia Marin, o Brasil ganha peso para a difícil missão de levantar a taça em 2014.

MUDANÇA POLÍTICA 

Outro movimento de Marin foi isolar Andrés Sanchez, diretor de seleções da CBF. Marin extinguiu o cargo e jogou o ex-presidente do Corinthians na oposição do futebol brasileiro. Sanchez era o último homem de confiança de Ricardo Teixeira no coração da CBF.

Político experiente e conservador, Marin em nenhum momento pensou em um treinador estrangeiro para a vaga de Mano Menezes. Sua aposta seria em um técnico com perfil vencedor.

O presidente da CBF também não levou em consideração o momento da carreira de Felipão, que apesar de ter sido campeão da Copa do Brasil, saiu do Palmeiras no dia 13 de setembro quando o time já estava embicado para o rebaixamento à Série B.

O novo treinador assume a seleção com plenos poderes para definir sua comissão técnica.

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