Marizete não fala antes da contraprova

Marizete de Paula Rezende, atual campeã da São Silvestre, teve controle antidoping positivo para EPO (eritropoietina), uma substância injetável que aumenta a produção de glóbulos vermelhos, deixando o atleta com maior resistência física. Marizete, que não está inscrita na São Silvestre porque se recupera de uma lesão na coxa esquerda sofrida na Maratona de Berlim, há três meses, foi flagrada após vencer a Meia Maratona do Rio, em agosto. O exame foi realizado pelo laboratório Ladetec. Procurada pela reportagem da Agência Estado, a atleta não se pronunciou, mas mandou um recado por meio do ex-atleta Diamantino dos Santos, seu técnico e marido. "Não quero falar nada antes da contraprova. Já tentei explicar o que houve e os jornais estão piorando a minha situação." "Vou tomar providências por danos morais, por estar sendo taxada de dopada", ameaçou Marizete. Diamantino acrescentou: "Se o resultado da contraprova der negativo, vamos processar quem espalhou esta besteira." Em nota à imprensa, a atleta explicou: "Tenho uma anemia, por causa de um problema chamado hiperpolimenorréia. Tomei um medicamento 13 dias antes da Meia Maratona e só pode ser isso. Posso provar." Ela alega não saber o nome do remédio. Mas o médico Fernando Solera, presidente da Comissão de Controle de Dopagem da Federação Paulista de Futebol, acha estranho. "Não há cápsulas ou comprimidos que contenham a EPO. Os casos de anemia até podem ser tratados com esta substância, mas nenhum médico seria louco de receitá-la a um atleta de alto nível, porque sabe que é doping. Sem contar que ela é cara e não é facilmente encontrada no mercado. Há outros meios para curar uma anemia, como bife de fígado." Segundo Diamantino, Marizete ainda não foi comunicada pela Confederação Brasileira de Atletismo e "vai tomar todas as providências para reverter o quadro". Hoje, o ex-corredor entrou com um pedido na IAAF (Associação das Federações Internacionais de Atletismo) para a contraprova do exame. "Não podiam deixar vazar o resultado. Ora, se acham mesmo que ela precisa do doping para vencer, por que não foi pega na última São Silvestre?" Segundo Solera, a EPO é produzida nos rins e encontrada no plasma sangüíneo. "Até 14 microgramas de EPO (cada micrograma corresponde à milionésima parte de um grama) encontradas no organismo não é considerado doping. Dependendo da quantidade usada, o benefício da substância pode durar de três a quatro dias." O exame da Marizete passou pelas mãos de Solera e foi comunicado oficialmente à CBAt.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.