Marreco supera cirurgia no joelho e é ouro no wakeboard

Atleta passou cinco meses em tratamento. ''''Vitória contra tudo e todos''''

Michel Castellar, O Estadao de S.Paulo

24 de julho de 2007 | 00h00

''''Vitória contra tudo e todos'''', esse foi o desabafo do paulista Marcelo Giardi, o Marreco, após a conquista da medalha de ouro no wakeboard, modalidade do Esqui Aquático, nos Jogos Pan-Americanos. De volta aos treinamentos há apenas um mês e meio do início da disputa continental, em razão de uma cirurgia, o atleta espera com seu feito impulsionar o crescimento do esporte no País.''''Mostrei para todo mundo que eu tinha condições de ganhar. Em dezembro, precisei fazer uma cirurgia no ligamento cruzado anterior do joelho esquerdo e fiquei cinco meses parado'''', comentou Marreco, pentacampeão brasileiro e vencedor do Sul-Americano no ano passado. ''''Infelizmente, tive de operar, porque não cuidei direito da contusão. Foi uma corrida contra o tempo. Mas sabia que conseguiria'''', afirmou.Marreco contou ter iniciado a disputa do wakeboard no sábado com a certeza de que brigaria pela medalha de bronze. Após terminar em primeiro lugar a preliminar realizada na Lagoa Rodrigo de Freitas, tudo mudou. ''''Muitas pessoas falaram para eu parar de pensar no ouro, mas não tinha jeito'''', garantiu. ''''Vi que dava para ser o primeiro colocado e esse pensamento não saiu mais da minha cabeça. Ganhar hoje (ontem) foi maravilhoso. É uma surpresa ganhar o ouro mas já esperava uma medalha'''', afirmou.Na final de ontem, o brasileiro totalizou 86,46 pontos, contra 81 do canadense Brad Buskas, e 76,98 pontos do argentino Edgardo Martin.Esta é a primeira participação do wakeboard no Pan. Durante a exibição, os competidores são avaliados pela intensidade (altura), composição e execução da manobra. Ontem, os dois primeiros quesitos foram os diferenciais de Marreco.EFICIÊNCIAApesar de ter sofrido uma queda durante a segunda passagem pelos juízes, Marreco não teve o ouro ameaçado. Ele destacou que a variação das manobras apresentadas e a eficiência na execução foram decisivas. ''''Peguei a onda no bico, acabei capotando. Deu tudo certo e a ficha ainda não caiu'''', contou.Aos 24 anos, Marreco - que ganhou o apelido porque ao iniciar no wakeboard não parava sobre a prancha e vivia caindo dentro d''''água - treina todos os dias na represa de Guarapiranga, em São Paulo. No local, ele tem uma escolinha de wakeboard, que espera fazer crescer embalado pelo sucesso e frutos da medalha de ouro.''''Vai ser muito bom porque o wake vai crescer no Brasil e o mundo vai nos reconhecer. E tenho a certeza de que até a minha escolinha vai ser reconhecida'''', ressaltou Marreco, que começou a competir aos 14 anos.O atleta tem acumulado títulos: além das conquistas no País e na América do Sul, sagrou-se vice-campeão mundial júnior, em 1999.

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