Fernando Vergara/AP
Fernando Vergara/AP

Martine e Kahena inovam na cerimônia de abertura do Pan, que teve brilho peruano

Grande surpresa foi a entrada da dupla de porta-bandeiras do Brasil no estádio em Lima

Paulo Favero, enviado especial a Lima, O Estado de S.Paulo

27 de julho de 2019 | 00h06

A cerimônia de abertura dos Jogos Pan-Americanos foi um espetáculo de deixar qualquer peruano orgulhoso. O espetáculo passou por toda a história e cultura do país e o público deu um show à parte, vibrando e ovacionando todas as delegações. A grande surpresa foi a entrada da dupla de porta-bandeiras do Brasil no estádio: Kahena Kunze carregou Martine Grael, que segurava a bandeira, no ombro. Foi a primeira vez que o País teve mulher como porta-bandeira no Pan.

"O coração está batendo até agora, foi muito rápido. Mas esse dia vai ficar para a história", disse Martine. Sua parceira Kahena também festejou e mostrou-se emocionada com o feito e por poder representar outras mulheres da delegação brasileira. "A gente queria inovar e pensar em fazer isso", completou, sobre ter carregado a parceira nos ombros.

A festa contou com a presença de personalidades, entre elas o presidente do Peru, Martín Vizcarra, e do Comitê Olímpico Internacional, Thomas Bach. Para Neven Ilic, presidente da PanAm Sports, os peruanos devem ficar orgulhosos por ter conseguido fazer uma festa tão boa. "É a melhor torcida do mundo", disse.

O cenário principal trouxe um conceito de dualidade com referências dos elementos naturais do Peru, como montanhas nevadas e o rio Amazonas, e dos elementos culturais, como templos e construções de pedras chamadas Huacas, que serviam para reverenciar as divindades. E esse cenário serviu de pano de fundo para diversas manifestações artísticas.

A montanha media mais de 20 metros de comprimento por 35 metros de largura. No total, 1.933 pessoas participaram do show, entre elas 1.860 voluntários, que passaram por 280 horas de ensaio. A equipe de produção tinha 230 membros de 17 nacionalidades diferentes. Francisco Negrin assinou a direção criativa da festa.

No início, as luzes do estádio foram se apagando e começou uma contagem regressiva. No decorrer dele, cada edição anterior dos Jogos Pan-Americanos foi homenageada. Quando o relógio ficou zerado, os dançarinos correram para o centro do campo do estádio e dançaram, criando o logotipo do Pan de Lima.

Na segunda parte da festa, o país anfitrião apresentou sua bandeira e seu hino, citando ainda os 49 idiomas do Peru. Delfina Paredes, famosa atriz local, recitou um poema em espanhol. Depois, o deus Pariacaca (parte ave, parte felino e parte serpente) apareceu e convocou os chasquis, uma versão antiga dos atuais maratonistas.

Com um show de luzes, Pariacaca chamou as estrelas, que caíram no estádio. Foi a parte do espetáculo chamada de Amanhecer Pacífico, que retratou ainda os "caballitos de totora", onde pescadores voltavam para casa e usavam as ondas para chegar à praia. Os peruanos consideram eles os "pais" do surfe moderno.

Depois de falar de astronomia e raízes culturais, o show falou do Amanhecer Amancay, famosas flores típicas. E elas deram um colorido para o espetáculo. Então entrou na parte esportiva em si, destacando os 52 pictogramas e uma imagem gigante de Milco, mascote dos Jogos Pan-Americanos em Lima. Assim, Guillermo Bussinger, Pelo D'Ambrosio, Sandra Muente e Shantall cantaram a música do Pan.

Depois, pela ordem alfabética e deixando o anfitrião Peru por último, as delegações foram entrando no estádio. Martine e Kahena, porta-bandeiras do Time Brasil, se revezaram na função à frente de 110 pessoas da delegação, de 13 modalidades: badminton, ciclismo MTB, vôlei de praia, basquete 3x3, tiro esportivo, rúgbi, hipismo, pentatlo moderno, nado artístico, levantamento de peso, surfe, squash e vela.

Na sequência, o espetáculo abordou os caminhos incas e rituais ancestrais. Também tocou na famosa gastronomia peruana e a abundância de alimentos. A lã e o algodão foi destacado com muito colorido entre danças e movimentos coordenados até chegar nos tecidos de vanguarda e um verdadeiro desfile de moda.

Então, o show desembarcou na capital Lima, inspirada em aquarelas de Pancho Fierro, um reconhecido artista peruano. Depois, entrou em cena o tenor Juan Diego Flórez e os bailarinos recriaram no campo a marca Peru, uma ferramenta de promoção do turismo no país. Na sequência, veio a parte de juramento dos Jogos, com discursos de Neven Ilic, presidente da PanAm Sports, e Carlos Neuhaus, presidente do Comitê Organizador.

O momento mais impactante foi mesmo no final, quando cada uma das nações pré-hispânicas entraram no estádio. O grupo foi formando desenhos com luzes até que um raio revelou o Intihuatana (que ocorre apenas nos equinócios em Machu Picchu) na montanha. As cenas foram bem bonitas e o público mais uma vez vibrou.

Então a tocha pan-americana foi carregada por Edith Noeding, ouro no atletismo no Pan de 1975, dois jovens talentos (Ariana Baltazar, do judô, e Carlos Fernández, do tênis de mesa), Lucha Fuente, três vezes prata no vôlei, e Cecilia Tait, prata na Olimpíada de Seul no vôlei até a pira ser acesa. A partir daí, Luis Fonsi colocou os 50 mil torcedores para dançar até depois de sete canções encerrar o evento com seu hit "Despacito".

 

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