James Blake/Volvo Ocean Race
James Blake/Volvo Ocean Race

Martine projeta etapa mais dura: 'Vamos navegar onde Titanic afundou'

Campeã olímpica analisa os principais desafios da nona etapa da disputa, a antepenúltima da temporada

João Prata, O Estado de S.Paulo

11 Maio 2018 | 07h00

Depois de uma das etapas mais disputadas da Volvo Ocean Race, com barcos cruzando a linha de chegada praticamente empatados, a expectativa é que a próxima perna da competição seja mais dura em termos de navegação e as dificuldades façam com que os veleiros fiquem mais distantes uns dos outros.

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Em entrevista ao Estado, a brasileira Martine Grael, campeã olímpica e que faz parte da equipe holandesa do Akzonobel, analisou os principais desafios da nona etapa da disputa, a antepenúltima da temporada, que sairá no dia 20 de Newport, nos Estados Unidos, rumo a Cardiff, no País de Gales, em um percurso total de 3.300 milhas náuticas (cerca de 5.900 quilômetros).

 

Na opinião dela, as dificuldades serão semelhantes a da etapa que saiu de Auckland, na Nova Zelândia, e terminou em Itajaí, no litoral de Santa Catarina. Na ocasião, dois barcos abandonaram a disputa. Os dinamarqueses/norte-americanos do Vestas 11TH Hour Racing tiveram o mastro quebrado e os chineses do Sun Hung Kai/Scallywag deixaram a regata depois que o velejador britânico John Fisher desapareceu no mar.

"Podemos comparar com a navegação pelos mares do sul. Deve ser parecida ou pior. As temperaturas são muito baixas. Vamos passar onde o Titanic afundou. Os ventos são fortes, muitas ondas também", projetou a brasileira. 

A etapa deve ter duração aproximada de dez dias e também pode encaminhar o campeão da temporada, já que terá pontuação dobrada. Os espanhóis da Mapfre estão na liderança na classificação geral com 53 pontos, três a mais do que os chineses do Dongfeng Race.

A liderança da Mapfre veio graças a uma emocionante vitória na última etapa. Depois de passar boa parte da regata na sexta colocação, a equipe conseguiu reagir no final e venceu com uma vantagem quase mínima de um minuto e um segundo à frente do segundo colocado, os holandeses do Team Brunel. 

Martine se mostrou impressionada com o improvável triunfo. Isso porque o Akzonobel ficou durante alguns dias disputando a quinta colocação com os espanhóis. "Nossas velocidades eram muito parecidas. Mas teve um momento que a gente ficou mais perto de uma zona de alta pressão, que tem menos vento. Devagarzinho eles foram abrindo e a gente não conseguiu impedir", afirmou. 

A brasileira está em seu primeiro ano na Volvo Ocean Race. A possibilidade de disputar a principal regata de volta ao mundo veio depois de ela ganhar reconhecimento pela medalha de ouro olímpica, conquistada na classe 49er FX, nos Jogos Olímpicos do Rio-2016. Também contou com uma mudança de regra da organização do evento que obrigou a presença de duas mulheres em cada embarcação.

O Akzonobel vinha de três pódios nas últimas etapas e ganhava posições na classificação geral. No entanto, o quinto lugar na disputa que terminou em Newport deixou a equipe em quarto lugar, com 36 pontos, a seis do Team Brunel, o terceiro colocado.

"A gente ainda tem chances de terminar no pódio. Refletindo como o time tem ido nas últimas etapas, sabemos que é difícil, mas não impossível. Vamos dar nosso melhor e ver o que acontece", afirmou a brasileira.

Depois de cruzar o Atlântico, haverá mais duas etapas antes do término da Volvo Ocean Race, que acontece a cada três anos. De Cardiff, os veleiros seguem rumo a Gotemburgo, na Suécia. A temporada termina em Haia, na Holanda, por volta do dia 24 de junho.

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