Massa é ''medalha de ouro'' em Valência

Com uma prova excepcional, piloto vence e fica a 6 pontos de Hamilton

Livio Oricchio, enviado especial, Valência, O Estadao de S.Paulo

25 de agosto de 2008 | 00h00

Vitória de ponta a ponta, depois de largar na pole position, e melhor volta da prova. Em resumo: o máximo possível a um piloto num GP, o chamado hat trick. Pois foi essa a proeza histórica de Felipe Massa, ontem, no GP da Europa, na estréia de sucesso do belo circuito de Valência no calendário da Fórmula 1. Em completa oposição à frustração vivida na Hungria três semanas antes, quando quebrou o motor da sua Ferrari, na condição de líder incontestável, a três voltas da bandeirada. "Conquistei, também, a minha medalha de ouro para o Brasil. Agora é continuar lutando para obter o troféu de ouro, ainda mais difícil", disse Massa, emocionado.O desempenho do piloto nas duas últimas etapas impressionou a todos. Em especial a forma como dominou o GP da Hungria e a competição, ontem, na Espanha, não dando a menor chance aos adversários. Lewis Hamilton, da McLaren, segundo colocado, mas ainda líder do campeonato 6 pontos à frente de Massa (70 a 64), reconheceu o avanço da Ferrari em Budapeste e ontem. "Nas sessões de classificação estamos no mesmo nível, mas na condição de corrida eles estão um pouco à nossa frente", afirmou. Depois das vitórias fáceis de Hamilton em Silverstone e Hockenheim, antes do GP da Hungria, essa vantagem era da McLaren. Mas Massa advertiu a própria equipe, apesar de agradecê-la "pelo carro excepcional" de ontem. "A chave para vencer um Mundial tão disputado é a consistência e a confiabilidade do carro. A quebra do meu motor (em Budapeste) e a de Kimi Raikkonen, hoje (ontem), mostra que precisamos melhorar muito ainda nesse aspecto." O finlandês abandonou na 45ª volta com outro show pirotécnico da Ferrari. Quebrou uma biela também, do mesmo lote da de Massa na Hungria. "A equipe me avisou e dentro de mim havia o lado do diabinho que dizia que o motor pode quebrar e o do anjinho, afirmando não poder acontecer duas vezes seguidas." O fato de ser a primeira corrida do seu motor e a segunda do de Raikkonen o deixou mais tranqüilo. Mas Massa não deixou de expor sua preocupação com a próxima etapa da temporada, o GP da Bélgica, no desafiador e veloz circuito de Spa-Francorchamps, em razão de ter de correr com o mesmo motor de ontem, como manda a regra. "Fica, lógico, uma pulga atrás da orelha, mas vamos trabalhar para o motor render até o final da última volta, como tantas vezes já este ano." Apesar de nenhum concorrente se aproximar, Massa quase vê sua vitória escapar, de novo, na 36ª volta de um total de 57. Depois do segundo pit stop, regressou à pista de rolamento, dentro da área dos boxes ainda, ao mesmo tempo que Adrian Sutil, da Force India, retardatário. Percorreram alguns metros lado a lado. PUNIÇÃOA direção de prova expôs na tela dos computadores que o comportamento de Massa colocou os pilotos numa situação de risco e, portanto, estava sob análise. Poderia receber um drive-through, o que o faria terminar em segundo, com Hamilton em primeiro. "Se alguém errou foi ele (Sutil). Teria de me deixar ultrapassar antes da primeira ou segunda curva porque eu liderava, estava colocando uma volta nele", argumentou Massa, que não foi informado pela equipe de uma eventual punição. "Eu não sabia e fiquei surpreso", contou. Ao final do GP da Europa os comissários apenas o multaram em 10 mil, por manobra não-segura sem obter vantagem. Roberto Kubica, da BMW, completou o pódio, ontem, com bom terceiro lugar, o que não acontecia desde a vitória em Montreal. FRUSTRAÇÃO ESPANHOLADia triste para os milhares de fãs de Fernando Alonso, da Renault, o grande ídolo local. A maioria dos mais de 100 mil festivos torcedores nas arquibancadas não compreendeu bem quando Alonso entrou nos boxes, ainda no fim da primeira volta. Kazuki Nakajima, da Willilams, bateu na traseira do seu carro e destruiu o aerofólio."Que frustração", disse o piloto. "Boa parte dessa gente veio me ver. Meus mecânicos tentaram me colocar de volta na corrida, mas não foi possível."

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