Massa é pole na finalíssima da mais emocionante temporada

Piloto da Ferrari tenta a 2.ª vitória em Interlagos. A seu lado larga Lewis Hamilton (McLaren), que leva o título se chegar em 2.º no GP do Brasil. Kimi Raikkonen (Ferrari) sai em 3.º e Fernando Alonso (McLaren), em 4.º

Livio Oricchio, O Estadao de S.Paulo

21 de outubro de 2007 | 00h00

Quando o diretor de prova, Carlos Montagner, der a bandeirada ao vencedor do GP do Brasil, hoje, será conhecido o campeão do mundo e vai colocar o ponto final numa das mais espetaculares temporadas dos últimos tempos. A disputa entre Hamilton e Alonso, pela McLaren, contra Raikkonen e Felipe Massa, pela Ferrari, recheada de temperos saborosíssimos, foi como há muito não se via e garantiu à Fórmula 1 um espaço notável na mídia mundial. A definição do grid, ontem, oferece ainda mais elementos de emoção para a corrida de encerramento do calendário, hoje. Felipe Massa, da Ferrari, repetiu a pole position de 2006 e tem boas chances de, como ano passado também, vencer a corrida. Mas são os três pilotos que vêm na seqüência do grid que deverão receber mais atenções da torcida, os três que lutam pelo título. Hamilton larga em 2º, Raikkonen em 3º e Alonso em 4º. A TV Globo transmite a prova, hoje, a partir das 14 horas. E pensar que milhares de fãs da competição no mundo todo demonstravam preocupação com a queda de interesse que, naturalmente, ocorreria com a aposentadoria do maior de todos os tempos, ao menos em números, Michael Schumacher. Hoje, em Interlagos, como toda a importância e excelência do trabalho do alemão, ao longo de 15 anos de Mundial, só se fala em Hamilton, Alonso e Raikkonen, e o que acontecerá na corrida.As desavenças entre o jovem talentoso inglês, estreante e favorito a ficar com o título, e o agora reclamão e competente espanhol terão que desenlace? Falta o capítulo final da novela das 8. Todo mundo, mesmo quem não acompanha demais as transmissões, quer saber quem casa com quem, se o perdedor irá expressar seu reconhecimento pela vitória do adversário ou, ainda, qual o destino dos personagens principais. Houve de tudo do dia 18 de março, data da abertura do campeonato, até hoje. Talvez se um piloto flertasse a namorada do outro a história seria completa. Alonso, o bicampeão, acusou a McLaren de sabotá-lo. Mais: horas antes da largada na Hungria, colocou o proprietário da equipe, Ron Dennis, na parede: "Ou você me garante o mesmo tratamento de Hamilton ou denuncio à FIA o que sei sobre a espionagem do seu time na Ferrari." Foi o próprio presidente da FIA, Max Mosley, quem contou o que se passou em Budapeste. Ficou evidente, mais uma vez este ano, como o esporte é conduzido politicamente. As provas contra a McLaren no escandaloso caso de espionagem contra a Ferrari eram cabais. E apenas o time foi punido. A McLaren foi excluída do Mundial de Construtores. Hamilton e Alonso, favorecidos pelos dados roubados das 780 páginas de arquivo dos italianos, estão hoje, em Interlagos, lutando pelo título. Coloque-se nessa balança, também, uma pitada de protecionismo da FIA a Hamilton, como se seu instinto de campeão matador precisasse. Não há como não negar: a temporada que termina hoje exige dos dirigentes da Fórmula 1 revisão urgente no regulamento. Sem ultrapassagem não há corrida. "É incrível que temos de recorrer à chuva para aumentar o show", diz Flavio Briatore, da Renault. Em Interlagos, nas arquibancadas, haverá 70 mil pessoas. Diante da tevê, 500 milhões. Todos para assistir ao final do tumultuado, mas imprevisível campeonato de 2007.

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