Massa entre o desejo e a realidade

Piloto reafirma que corre para vencer, mas no fundo sabe: se receber ordem da Ferrari, terá de deixar Alonso passar

Livio Oricchio, enviado especial a Budapeste, O Estado de S.Paulo

30 de julho de 2010 | 00h00

Felipe Massa não poderia ser mais objetivo, ontem no circuito Hungaroring, em Budapeste, ao responder o que acontecerá se domingo, no GP da Hungria, estiver liderando, na frente do companheiro de Ferrari, Fernando Alonso. Há cinco dias, no GP da Alemanha, Massa desacelerou para o espanhol vencer a prova. "Aqui ganho eu." Falou de bate pronto, como se esperasse a pergunta. A maioria não acredita. A Ferrari não mudaria sua política, em especial por que agora Alonso entrou na luta pelo título. Possui 123 pontos diante de 157 do inglês Lewis Hamilton, da McLaren, o líder do Mundial.

Semblante abatido, barba por fazer, olhar distante, visivelmente atingido com o profundo desgaste experimentado domingo no circuito de Hockenheim. Esse era o retrato de Massa, ontem, na pista húngara. Antes de atender a um batalhão de repórteres, foi ao hospital do circuito cumprimentar um a um o pessoal que o resgatou do cockpit da Ferrari acidentada, há um ano, e o corpo médico. Massa disse estar consciente da impressionante reação da torcida brasileira, que literalmente o excomungou. É provável que o desgaste evidente venha dessa noção.

Diante da destruição da sua imagem no Brasil, você deixaria Alonso passar de novo, atenderia a ordem da Ferrari?, questionou o Estado. "A gente tem de pensar em muitas ocasiões. Em 2007 ajudei a equipe ser campeã e fiquei contente, apesar de chateado de não vencer no Brasil. Eu sei o que estou fazendo agora, sei a minha direção, depende muito das ocasiões", afirmou Massa. O piloto não respondeu o que lhe foi solicitado.

O que aconteceria se ele não deixasse o Alonso passar foi outra dúvida da imprensa. "É difícil falar ponto por ponto daquilo que aconteceu, não vale a pena. Vale a pena pensar para a frente e eu sei o que faço, o que é melhor para minha carreira." E emendou: "O dia que eu me sentir segundo piloto eu paro de correr."

A imagem da Fiat, banco Santander e Shell, parceiras da Ferrari, ficou muito arranhada, principalmente no Brasil, com a ordem da equipe em Hockenheim. Você discutiu o fato com a Ferrari? "Tenho de fazer o trabalho visando o melhor para mim como piloto e brasileiro." Mais uma vez Massa não respondeu.

A mesma política manteve Fernando Alonso, o maior beneficiado, como sempre, que se esquivou da polêmica. "No aeroporto havia muitos fãs, aqui também e o importante é que voltamos a ter um carro competitivo." Disse não se importar com tudo o que estão falando. "Voltei para casa, domingo, na Suíça, não tenho internet, fazia calor, fiquei na piscina pensando no GP da Hungria", desdenhou o espanhol.

A Ferrari está tão segura de que voltou à luta pelo Mundial que no GP da Bélgica, em Spa-Francorchamps, dia 29 de agosto, estreia um carro com ainda mais modificações estruturais que o apresentado em Valência, dia 27 de junho.

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