Massa não teme reação da torcida

Pressionado pela Ferrari para fazer o jogo da equipe, piloto brasileiro fala em vencer a corrida e ainda torcer para Alonso conquistar o campeonato

LIVIO ORICCHIO, O Estado de S.Paulo

23 de novembro de 2012 | 02h20

O foco das atenções em Interlagos vai estar, como não poderia deixar de ser, na disputa pelo título entre Sebastian Vettel e Fernando Alonso. Já a partir dos treinos livres de hoje, os dois darão alguma referência do que podem realizar amanhã, na sessão que definirá o grid, e principalmente domingo, ao longo das 71 voltas do GP do Brasil. Mas se há um piloto que pode ter interferência direta nessa luta, pelo seu histórico de sucesso na prova de São Paulo e até em situação semelhante, é Felipe Massa.

Em 2007, o brasileiro deixou de ganhar a prova para Raikkonen, parceiro na Ferrari, vencer e levar o Mundial. "Tentarei ganhar pela terceira vez. Essa é a direção a ser seguida sempre no automobilismo", disse, ontem, Massa. "O lugar aqui é muito especial para mim. O Fernando pode ser segundo sem comprometer sua vitória no campeonato."

O que Massa terá de administrar em Interlagos, porém, é a reação de parte da torcida. O piloto viajou de ídolo no Brasil, quando perdeu o título a segundos do encerramento do campeonato de 2008, no próprio GP do Brasil, a vilão. Aceitar decisões da Ferrari ainda repercute contra si fora e até dentro da F- 1. Antes da largada do GP dos EUA a Ferrari quebrou o lacre do câmbio do carro de Massa para ele ser punido e Alonso avançar no grid.

"Não tinha o que fazer. Fiz a coisa certa. Sempre fui honesto e torcida é torcida. Tem aquele que não tem o que fazer e escreve besteira no blog como existe aquele que torce", disse, ontem, Massa, sabendo já que seria questionado pela imprensa brasileira e internacional. "O que me interessa é ser honesto e fazer um bom trabalho."

Parte dos fãs brasileiros da competição ainda lembra como horror de decisões polêmicas da mesma Ferrari. A exigência para que Barrichello deixasse Schumacher vencer o GP da Áustria de 2002 traumatizou muita gente. E Massa, agora, por estar fora da luta pelo título, vem acatando as determinações do diretor da equipe, Stefano Domenicali.

Desconfiança. Parece não haver dúvida de que parte daqueles que se emocionaram com seu campeonato cheio de personalidade, combativo, eficiente de 2008 não vibram mais com Massa. E muitos deles vão estar em Interlagos hoje.

O piloto pensa diferente dos críticos. Acredita que obedecer ordens da equipe, nessas circunstâncias, aumenta a confiança da Ferrari no seu trabalho. "Isso me deixa mais forte. A minha segunda metade de campeonato vem sendo excelente e é um grande motivo para me preparar para o ano que vem", afirmou Massa.

Não está claro se tem consciência de que o grau de desconfiança da torcida é grande. Há quem pense, erroneamente, contudo, que seu contrato o impede de fazer sucesso. Não é uma prerrogativa de Alonso. Mas do piloto mais eficiente da equipe na temporada.

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