Massa promete voltar forte em 2013

Emocionado no pódio, piloto chora, agradece aos torcedores e garante que no próximo ano vai brigar pelas vitórias

CIRO CAMPOS, VALÉRIA ZUKERAN, O Estado de S.Paulo

26 de novembro de 2012 | 02h04

Felipe Massa surpreendeu em sua comemoração no pódio do GP do Brasil. Estava tão emocionado pelo terceiro lugar que foi às lágrimas, um desabafo após uma temporada cheia de adversidades, vencidas a custo de muito esforço e uma verdadeira reviravolta psicológica.

"Não sabia o que falar e pensar após terminar a corrida. Estava muito emocionado porque a primeira parte do ano foi um desastre e depois passei a render o que posso", afirmou. Nas 11 primeiras corridas, o piloto brasileiro pontuou em apenas cinco e acumulou posições pífias no grid de largada. O máximo que conseguiu foi um quarto lugar na Inglaterra.

Depois veio a reação. O piloto pontuou nas nove provas restantes, subiu ao pódio duas vezes e compensou os dois anos em que ficou longe dos três primeiros lugares. Assim, conseguiu terminar a temporada por cima.

"Essas últimas corridas me deixam preparado para o ano que vem", disse.

A psicologia foi a chave para a recuperação. Depois do sério acidente que sofreu no Grande Prêmio da Hungria de 2009 e das muitas dificuldades que vinha enfrentando na Ferrari, Massa ignorou qualquer preconceito e foi procurar ajuda profissional.

Assim, colocou o emocional em ordem e voltou a ser aquele piloto de ponta que disputou até a última corrida o título do Mundial de Pilotos de 2008. O presidente da Associação Paulista de Psicologia do Esporte, João Ricardo Cozac, assumiu em novembro do ano passado o desafio de ajudar o brasileiro a reencontrar o equilíbrio e os melhores resultados.

O psicólogo explicou que de maneira geral os pilotos são submetidos a diversas fontes de tensão, como as cobranças dos dirigentes, imprensa e torcida, a relação com integrantes da equipe e os compromissos publicitários.

Porém, além de tudo, há a situação particular da modalidade: enquanto a maioria dos esportistas depende exclusivamente de seu corpo para atingir resultados, quem tem por profissão sentar em um cockpit vive o desafio de desenvolver uma complexa relação homem-máquina bem-sucedida para vencer.

"Por vezes o atleta está em um nível acima do carro, por outras o carro está acima e ele abaixo". O importante, segundo o psicólogo, é que o piloto deixe de 'brigar' com seu equipamento e trabalhe até chegar a um nível que ele define como 'flow'- quando homem e máquina entram em sintonia e a pilotagem deixa de ser um estresse para se tornar uma ação mais próxima do movimento natural.

"Tive um começo de ano muito difícil. Fui criticado demais. Depois que passou agosto, eu pensei: 'ou vai ou não vai'. Então comecei a me divertir nas corridas e esse é o jeito. Tudo melhorou", contou Massa.

A mudança se refletiu no próprio ambiente da equipe italiana. Os maus resultados fizeram o brasileiro correr o risco de não ter o contrato renovado. A situação foi melhorando junto com o desempenho do carro e em 2013 o brasileiro continua na Ferrari. "Tenho a máxima confiança em Massa. Ele sempre me ajuda nas corridas", elogiou o companheiro de equipe, Fernando Alonso. Ontem, o brasileiro fez a sua parte, ao deixar ser ultrapassado pelo espanhol, que com a manobra assumiu a segunda posição.

Azar de Senna. O outro piloto brasileiro acabou a temporada de forma negativa. Bruno Senna, da Williams, saiu da corrida logo na primeira volta, após um toque com Sebastian Vettel. "Ele não está acostumado a andar no meio do 'bolo' de pilotos e não deu espaço para mim", contou. Apesar disso, Bruno fez um balanço positivo do ano e garante que continua na batalha para se manter na Fórmula 1, mesmo que seja em outra equipe.

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