Daniel Zappe/MPIX/CPB
Daniel Zappe/MPIX/CPB

Mateus Evangelista fatura ouro nos 100 m no Mundial de Atletismo Paralímpico

Brasileiro sobe ao lugar mais alto do pódio com o seu melhor tempo da temporada - 11s48

Glauco de Pierri, enviado especial a Londres*, O Estado de S. Paulo

20 de julho de 2017 | 17h38

"Quando eu era criança, eu brincava de pega-pega e de pique-esconde em ruas de terra lá da minha cidade. Porto Velho não é lá muito conhecida pelo esporte, mas eu queria tentar mudar isso. Queria que Rondônia se desenvolvesse um pouco mais. Lembro dos meus amigos, que dizem que eu fiz o certo ao ir treinar em São Paulo. Mas eu não esqueço deles não, tô sempre falando com todos. Um dia eu volto". Com o coração no norte do Brasil, Mateus Evangelista cravou mais uma medalha para o Brasil no Mundial de Atletismo Paralímpico de Londres. Depois da prata nos 200 metros, ele ficou com o ouro nos 100 metros, classe T37 (para atletas com paralisia cerebral), com o seu melhor tempo da temporada, 11s48, nesta quinta-feira.

Mateus, que quase deu sequência à carreira como goleiro do futebol de sete - foi o menos vazado do Parapan Juvenil de Bogotá, disputado em 2009, na Colômbia, queria muito a vitória. "Esse ouro estava meio engasgado, sabe", disse, na zona mista do Estádio Olímpico da cidade. Sob um vento gelado que faz o verão londrino lembrar o inverno brasileiro, o atleta de Rondônia parecia não sentir o frio.

Enrolado à bandeira do Brasil, fazia questão de celebrar. "No Rio (nos Jogos Paralímpicos de 2016) eu fiquei em quarto nessa prova, depois de ter feito uma semifinal perfeita (11s47, o melhor tempo de sua carreira). E eu queria o ouro", disse. E recusou uma jaqueta oferecida por Daniel Brito, assessor de imprensa do Comitê Paralímpico Brasileiro. "Não tô com frio não, Dani", falou, rindo.

A prova foi tensa. Mateus largou na frente e não cedeu em nenhum momento. Seus principais rivais conquistaram a prata (o sul-africano Charl Du Toit, com 11s55), e o bronze (o ucraniano Vladyslav Zahrebelnyi, com 11s69). Para efeito de comparação, o astro jamaicano Usain Bolt conquistou o tricampeonato olímpico nos 100m nos Jogos do Rio-2016 com o tempo de 9s81 - ou seja, esses atletas, com partes do corpo paralisados, correm a mesma distância com uma diferença de pouco mais de um segundo para o maior de todos os tempos. É um feito e tanto.

Além disso, foi para Charl Du Toit que Mateus perdeu o ouro nos 200 metros. Assim, o brasileiro deu o troco no rival - mas nada de provocações. Depois da prova, eles se juntaram com os outros finalistas e deram um abraço coletivo na pista do Estádio Olímpico.

"É uma emoção que eu nunca tinha sentido antes. Eu estava muito focado. Vou comemorar com meus colegas e depois voltar a me concentrar, porque eu ainda tenho mais uma prova aqui e quero outra medalha", finalizou. Mateus retorna nesta sexta-feira à pista do Estádio Olímpico de Londres.

O brasileiro disputará o salto em distância classe T37, prova da qual é especialista e na qual conquistou a medalha de prata nos Jogos Paralímpicos do Rio. Ele terá a missão de destronar o chinês Guangxu Shang, dono do ouro no Rio ao alcançar 6,77 metros, contra 6,53 metros do brasileiro.

AGENDA

Além de Mateus, que compete a partir das 16h35, os outros brasileiros que disputam provas nesta sexta feira são Edson Pinheiro (15h10, semifinal dos 100 metros T38), Elizabeth Gomes (15h14, final do lançamento de disco F55), Yohansson Nascimento (15h26, semifinal dos 200 metros T47), Petrúcio Ferreira (15h34, semifinal dos 200 metros T47), Daniel Martins (16h13, semifinal dos 800 metros T20) e Edson Pinheiro novamente, caso avance à final dos 100 metros T38, às 17h03. Todos os horários são de Brasília.

*O repórter viajou a convite do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB).

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