Márcio Fernandes/Estadão
Márcio Fernandes/Estadão

Matheus Santana bate recordes e deixa para trás o título de 'novo Cielo'

Nadador de 18 anos derrubou três vezes o recorde mundial júnior dos 100 m e já pensa em ser o número 1 em 2016

Amanda Romanelli, O Estado de S. Paulo

17 de maio de 2014 | 17h00

SÃO PAULO - Ele não é mais o "novo Cielo". Ele é Matheus Paulo de Santana, 18 anos, carioca, recordista mundial júnior e dono do sétimo melhor tempo do mundo nos 100 metros livre. De maneira rápida, como são suas vigorosas braçadas, o velocista vai se distanciando do status de promessa. Em 2014, começa a se consolidar como uma realidade na natação brasileira.

 

Em duas semanas, Matheus bateu três vezes o recorde mundial da sua categoria, instituído pela Federação Internacional de Natação (Fina) nesta temporada. A marca anterior, do americano Caeleb Dressel, era 48s97. No último dia do Troféu Maria Lenk, 26 de abril, Matheus fez 48s85 na semifinal. Na final, nadou 48s61.

 

O brasileiro completou uma melhora de meio segundo – o que é muito, em qualquer circunstância – no dia 9 de maio, durante o Brasileiro Júnior e Sênior. Cravou 48s35 na final disputada na piscina do Botafogo, sua casa até o fim de 2012, quando se mudou para Santos e passou a competir pela Unisanta.

 

Agora, o Brasil tem os dois recordistas mundiais dos 100 m livre. Cesar Cielo, que foi campeão olímpico e mundial da prova, nadou 46s91 em 2009, período em que ainda eram permitidos os trajes tecnológicos.

 

Matheus tem o objetivo de terminar a temporada nadando na casa dos 47 segundos. Acredita que pode alcançar o tempo em agosto, quando disputar a principal competição de seu calendário, os Jogos Olímpicos da Juventude, em Nanquim (China).

 

A comparação com Cielo, diz Matheus, não incomoda. Mas o jovem nadador acha que, agora, eles estão mais para concorrentes. "Ser comparado com o Cielo é uma coisa boa, porque ele é o melhor nadador da atualidade. Mas acho que fazia mais sentido quando eu disputava o Chico Piscina", explica, referindo-se ao principal torneio das categorias de base do País.

 

O técnico de Matheus, Márcio Latuf, já revê as metas para 2016. "Estávamos nos preparando para o revezamento 4 x 100 m, em que o Brasil pode ter grande chance de medalha. Agora, acredito que ele poderá chegar à final dos 100 metros."

 

Matheus começou a nadar aos cinco anos. Aos oito, descobriu ter diabetes, condição que lhe causou o maior revés na carreira até agora. Com o índice de hemoglobina glicada muito alterado, foi cortado do Mundial Júnior do ano passado. Ele nadaria cinco provas. A ausência no Mundial foi um divisor de águas para o nadador, avalia Latuf. "Por causa do corte, ele chegou ao que é hoje. Está mostrando que pode ser um superatleta."

 

A condição de Matheus era tão preocupante que ele foi comparado a uma bomba-relógio. Ficou totalmente afastado das piscinas por duas semanas, e passou um mês com volume reduzido de treinos na água. Depois disso, passou a ser acompanhado de perto por um endocrinologista e outros especialistas, em trabalho conjunto da Unisanta, Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos e Comitê Olímpico Brasileiro. Continua tomando insulina, e faz medições da taxa de açúcar no sangue à beira da piscina.

 

Além da motivação que um corte pode trazer – a ponto de, após dele, Matheus ter tatuado os aros olímpicos na linha do quadril –, o período dedicado mais aos trabalhos físicos do que à piscina pode ter dado uma vantagem aeróbica ao nadador. Afinal, Matheus está voando nas piscinas. No mesmo Brasileiro disputado no Rio, ficou a cinco centésimos do recorde mundial júnior dos 50 m livre. Saiu da piscina aplaudido.

 

Apesar das marcas de destaque em sua categoria, Matheus quer mais. "Eu fico feliz de ter batido o recorde mundial júnior, e também fico acompanhando o ranking mundial, para saber os tempos dos outros atletas". Sua meta é bem clara. "Meu objetivo é ser número um. E ganhar uma medalha em 2016."

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