Matinê obrigatória para mulheres e velhinhos

Final de semana é sagrado para quem vive em Trinidad, bairro com cerca de 15 mil moradores: todos têm de estar no La Arboleda para torcer pelo Rubio Ñu. Como o estádio não tem iluminação, os jogos como mandante são marcados sempre para sábado ou domingo à tarde. E lá estão todos eles, ou elas, já que a torcida se destaca pelo grande número de mulheres, algumas jovens, e muitas senhorinhas simpáticas que não perdem a oportunidade de mostrar seu conhecimento sobre futebol.

ASSUNÇÃO, O Estadao de S.Paulo

22 de março de 2010 | 00h00

Ao lado das amigas, dona Maria Terezinha Tufari, de 59 anos, tem seu lugar reservado na arquibancada. Com camisa, bandeira e até uma almofada personalizada com as cores e o símbolo do time, ela fica ali, num cantinho perto da linha de fundo, incentivando jovens que viu nascer a defender com orgulho o time.

"Desde que nasci venho aos jogos. Fiz isso por toda a minha vida e é muito saboroso", afirma, com alegria de dar inveja. "Gritamos muito. Se o time ganha, fazemos festa até o outro dia. Se empata ou perde, a gente fica triste, mas não xinga, isso é feio. Eles merecem todo nosso respeito, por isso os aplaudimos de pé."

São vários os "velhinhos" presentes no estádio. A torcida do Rubio Ñu é saudosista, adora uma boa história e é fanática. Mesmo com o longo período do time nas divisões inferiores, nunca deixou de ir às partidas.

O amor pelo clube passa de geração para geração. Por isso é possível ver avós com os filhos e netos num mesmo canto da arquibancada de cimento. A turma se delicia com um bom jogo e também com chispas - um pão de queijo em formato de broa -, de sonhos (aqueles de padaria) e do tereré, um tipo de chimarrão, mas gelado.

Dono da terceira melhor média de público (3,5 mil por jogo), o Rubio Ñu também tem sua torcida organizada. Denominados "La Barra 11 + 1", a garotada veste a camisa do clube e faz muito barulho com instrumentos musicais esquisitos e que emitem um som totalmente desafinado. O que vale, contudo, é a festa, a cantoria e a chuva de papel picado pelo clube de coração. /F.H.

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