?Maurren chegou a ter aversão à pista?

A atleta Maurren Maggi esteve praticamente reclusa nas últimas semanas, em Manaus, local escolhido para tentar se recuperar do baque provocado pelo uso indevido de um creme cicatrizante, após uma sessão de depilação. Não imaginava que o remédio continha substância proibida pela Federação Internacional de Atletismo (Iaaf). Tampouco que seria acometida de uma sensação quase incontrolável de perda e impotência, de acordo com relato de seu treinador, Nélio Moura. "A Maggi vai dar a volta por cima. É uma pessoa forte. Mas no auge de todo pesadelo, chegou a ter aversão à pista", contou.Primeira do ranking da Iaaf em salto em distância, Maggi viajou em agosto para Manaus, onde descansou e passeou com o namorado, o piloto Antonio Pizzonia, e chegou a assistir ao jogo do Brasil com o Equador, dia 10 de setembro, pelas eliminatórias da Copa do Mundo de 2006. Ela vai recomeçar os treinos em outubro. Suspensa preventivamente, aguarda, ansiosa, o seu julgamento, ainda sem data. Se houver rigor, pode ficar dois anos fora de competições oficiais - o que a excluiria da Olimpíada de Atenas.O técnico veio ao Rio para acompanhar a contraprova do exame de urina de Maggi - material coletado durante o Troféu Brasil, em junho. Ao seu lado estava o americano David Black, doutor em Toxilogia do Laboratório Aegis, nos Estados Unidos. O bioquímico foi contratado pela BMF, clube de Maggi, para verificar cada etapa do novo exame realizado nesta sexta-feira no Ladetec, laboratório da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)."O resultado (sai em 48 horas) nem interessa muito à Maggi. Ela sabe que em 99,9% dos casos, não é detectada diferença nas amostras." Moura manteve contato na quinta-feira com a atleta, por telefone - ela já estava na casa dos pais, em São Carlos, interior de São Paulo.Conversaram amenidades por dez minutos. Depois, ele passou o telefone para sua filha, Larissa, de 9 anos. "As duas são amigas e ficaram falando sobre a cadelinha da Maggi. Serviu para descontrair." Além do apoio de parentes e amigos, Maggi vem sendo assistida pela psicóloga Cristiana Scala, cujo trabalho inicial é o de ajudá-la a estabelecer objetivos pessoais e profissionais. "O pior já passou. A Maggi tem consciência de que as pessoas sabem que ela não teve nenhuma intenção de se beneficiar, usando um creme para depilação", afirmou Moura.

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