Maurren faz São Paulo voltar ao Troféu Brasil

Clube, que já teve o lendário Adhemar Ferreira da Silva, conta apenas com a saltadora, que compete hoje

Amanda Romanelli, O Estado de S.Paulo

18 de setembro de 2010 | 00h00

Primeiro campeão do Troféu Brasil de Atletismo, em 1945, o São Paulo Futebol Clube volta hoje a participar do principal torneio de clubes do País. Representado, no passado, por atletas do quilate de Adhemar Ferreira da Silva - a quem homenageia com as duas estrelas douradas na camisa - e Nelson Prudêncio, o time do Morumbi é um coadjuvante na competição. Ao menos, em termos numéricos. Do universo de 939 atletas, a campeã olímpica do salto em distância, Maurren Maggi, será a única atleta a defender as cores tricolores no Centro Olímpico, na pista que, aliás, leva o nome de Adhemar. A qualificação do salto em distância começa hoje, às 11 horas. A final será disputada amanhã, no mesmo horário.

Por Maurren, o São Paulo reativou a filiação junto à Federação Paulista no primeiro semestre - havia pedido a suspensão de seu cadastro em 2001, quando encerrou os trabalhos com o grupo profissional de fundistas. Neste período, o atletismo se tornou esporte praticado apenas por sócios. Na história, ficaram os feitos. Além do bicampeonato olímpico de Adhemar no salto triplo, em Helsinque/1952 e Melbourne/1956, o clube conquistou seis títulos do Troféu Brasil, 20 Estaduais e dez vitórias na Corrida Internacional de São Silvestre.

A contratação da campeã olímpica foi uma ação mais associada ao marketing do que propriamente ao interesse são-paulino de investir na modalidade. "É muito difícil fazer investimentos no esporte amador como antigamente. A prioridade do clube é o futebol. Mas temos o interesse (em outras modalidades), desde que haja parcerias", explica o vice-presidente de marketing do São Paulo, Julio Casares. E assim ocorreu no caso de Maurren, contratada em fevereiro. A atleta estava sem clube desde o fim de 2009, quando deixou a Rede Atletismo, entidade abalada pelo escândalo de doping que atingiu o esporte ano passado.

Na contratação da medalhista, o São Paulo articulou um patrocínio de três anos com a Nestlé, responsável pelo pagamento dos três anos de contrato firmado com a saltadora. "O São Paulo agrega com o institucional e tem um ganho de imagem. Também é uma oportunidade de resgatar a nossa história", afirma Casares. "A Maurren ganhou um bom contrato e tem a chance de defender seu time de coração."

Maurren não esconde sua paixão. É são-paulina de acompanhar os jogos sempre que possível. A saltadora sempre treinou na pista do Estádio Ícaro de Castro Mello, no Ibirapuera. Agora, transferiu-se para o Centro Olímpico, onde funcionará o Centro Nacional de Treinamento especializado em saltos horizontais.

Mas, a partir do próximo mês, a saltadora estará mais presente no Morumbi, garante a diretoria e seu técnico, Nélio Moura. O clube promoverá clínicas no estádio, utilizando a pista que lá foi construída. "A programação acabou postergada por causa da lesão que a Maurren sofreu. Mas vamos intensificar a presença dela no clube", afirma Casares. "A ideia é trabalhar com a formação de novos atletas e aumentar o grupo." Para aproximá-la ainda mais da torcida, o dirigente sugere que Maurren salte no intervalo de alguma partida, possivelmente do Campeonato Paulista. "Ela adorou a ideia."

A saltadora, que sofreu um estiramento na coxa direita em 30 de julho, afirma que competirá sem grande expectativa. "Eu precisava de pelo menos uma semana a mais de treinos, mas estou bem." Sobre o São Paulo, não poderia estar mais feliz. "É uma honra representar o time do coração. Quero continuar o trabalho do Adhemar e mostrar que os clubes de futebol também podem voltar a investir no meu esporte", afirmou.

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