Maurren Maggi foi a primeira medalhista do Brasil em Jogos Olímpicos

A atleta quebrou o tabu em 2008, em Pequim, e a estreia feminina no pódio já foi dourada

Amanda Romanelli, O Estado de S. Paulo

27 de março de 2013 | 14h36

SÃO PAULO - O Brasil precisou esperar 60 anos para ver uma mulher subir, pela primeira vez, ao pódio do atletismo olímpico. O longo jejum teve fim com um salto de 7,04 m, na primeira tentativa de Maurren Maggi no Estádio Ninho do Pássaro, nos Jogos de Pequim. Em 2008, a paulista de São Carlos conquistou a medalha feminina para o Brasil. E já veio de ouro, no salto em distância.

Até o feito de Maurren, nenhuma atleta do País havia conquistado uma medalha olímpica individual. No atletismo, a melhor posição antes de sua conquista era o 4.º lugar de Aída dos Santos, no salto em altura, na Olimpíada de Tóquio, em 1964. A conquista em Pequim foi a redenção para a saltadora que chegou a abandonar o esporte após uma suspensão de dois anos por doping, seguida pela gravidez de sua única filha, Sophia.

Para Maurren, à época com 32 anos, aquela era vista como sua primeira – e última – participação olímpica. Mas a saltadora, que também superou cirurgias e problemas físicos, queria lutar pelo bicampeonato olímpico. Chegou aos Jogos de Londres como uma incógnita, por causa de problemas no quadril, e não conseguiu alcançar a final do salto em distância. Quando muitos apostavam na aposentadoria, Maurren respondeu com uma afirmação empolgada: quer, aos 40 anos, disputar a Olimpíada do Rio.

“Não falo em aposentadoria porque eu amo o que eu faço. Além disso, o Brasil não tem uma pessoa que esteja na minha cola para representar o País”, disse a saltadora. “Não bebo, não fumo, não sou de balada e tenho o melhor técnico do mundo (Nélio Moura).”

Para chegar competitiva no Rio, Maurren tem realizado uma preparação diferenciada neste ciclo olímpico, em que dará ênfase para os anos de 2015, quando haverá o Pan de Toronto, e 2016. Desde o fim do ano passado, a saltadora se dedica apenas aos treinos. Não disputou provas em pista coberta e deve fazer sua primeira competição do ano em maio, na temporada de Grandes Prêmios disputados no Brasil.

Mesmo sem ter conquistado uma medalha mundial, a segunda competição mais importante do calendário não é prioridade para Maurren. Mas ela, claro, tentará buscar o índice para o torneio de Moscou, em agosto. “Os próximos dois anos são para ela continuar motivada, sadia e ativa”, explica o técnico Nélio Moura. “2015 e 2016 são o nosso foco.”

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