Maurren testa a boa forma na Europa

Depois de um ano de "apagão", Maurren Higa Maggi voltou à boa forma. Em 2000, ela não teve expressivos resultados no circuito europeu e, na Olimpíada de Sydney, acabou sofrendo uma lesão muscular na coxa direita e nem chegou a disputar a final da sua prova preferida, a do salto em distância. "A imagem que ficou dela em 2000 foi a da contusão", concorda o técnico Nélio Moura. "Todos os melhores atletas do mundo tem altos e baixos", observa Maurren, que ficou três meses parada para recuperar-se da lesão. Voltou aos treinos puxados no início do ano e agora estabeleceu novamente marcas de importância internacional. A saltadora embarca sábado para a Europa para disputar meetings europeus."Quando ela voltou aos treinos, em fevereiro e antes do previsto, eu nem a reconheci. Tinha perdido muita massa muscular", conta o treinador, que esperava o retorno à pista somente em junho.No último Sul-Americano, em Manaus, Maurren estabeleceu a melhor marca da temporada para a prova dos 100 metros com barreira e recorde sul-americano: 12s71. Ela tinha como melhor tempo 12s86, obtido no Pan-Americano de Winnipeg, no Canadá (1999). Além disso, a atleta também é a primeira colocada no ranking internacional de 2001 para o salto em distância, com 6,87 metros. Erica Johansson, da Suécia, tem a mesma marca. "São marcas que terminarão a temporada entre as 10 melhores", acredita Moura.Contas - Maurren conta que perdeu dois patrocínios individuais (Swatch e Credicard) por causa do "apagão". Pelo menos manteve o apoio da BM&F e teve o salário da Funilense diminuído em 30%. "Aprendi duas coisas: ano olímpico é uma maravilha e que ninguém aposta em atleta machucada." Ainda mais depois de 99, ano da sua consagração e o fim do anonimato, quando conquistou a medalha de ouro no salto em distância e a de prata nos 100 metros com barreiras em Winnipeg. "Tudo aconteceu muito rápido e foi um bom aprendizado para lidar com a pressão. Nunca mais ela vai ser surpresa", declara Moura.Maurren recuperou um patrocínio. Assinou com a PowerBar, marca de barras energéticas da Nestlé. Mesmo assim, não poderá manter o padrão de vida que tinha. Em 2000, ela sequer precisava ir ao banco, por exemplo, para pagar suas contas. Tinha um empresário que também fazia este serviço de office-boy. No total, a saltadora recebe hoje 60% a menos do que a temporada de 2000. Para viajar para o circuito europeu terá de pagar do bolso, cerca de US$ 2 mil. "O jeito é dividir no cartão."Mudanças - "Acho que conseguirei melhorar as minhas marcas. As européias vão começar a disputar agora e o ranking vai mudar muito", espera Maurren, que trava uma "briga" à parte com a canadense Perdita Felicien, que tem até o momento a segunda melhor marca do ano para os 100 metros com barreiras: 12s73.O circuito europeu será uma preparação para o Campeonato Mundial de Edmonton, no Canadá, em agosto. Maurren tem índice para as duas provas que disputa. Em um mês na Europa, competirá em meetings como o de Milão, Sevilha, Helsinque, Roma e Lausane.

Agencia Estado,

01 de junho de 2001 | 21h21

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