Maurren vai pedir contraprova em setembro

A saltadora Maurren Higa Maggi, a principal ausência do atletismo brasileiro no Mundial de Paris, vai pedir a contraprova na amostra de urina B colhida após a realização do Troféu Brasil de Atletismo, em julho, apenas agora, no mês de setembro. Maurren, que teve resultado positivo no controle antidoping para a substância proibida Clostebol, no exame feito na amostra de urina A, colhida dia 14 de julho, em São Paulo, esperava pela contratação de um bioquímico - que seu clube, a BM&F Atletismo, concretizará esta semana - para pedir a contraprova. O técnico Nélio Moura disse, em Paris, que a demora justifica-se porque a intenção é provar, com a ajuda do especialista, que o doping positivo foi originado do uso do creme dermatológico cicatrizante após sessão de depilação a laser. Maurren está suspensa das competições provisoriamente até o julgamento. "Para nós, isso está claro, mas precisamos provar para a Iaaf (Associação de Federações Internacionais de Atletismo). A idéia é fazer isso com a ajuda do bioquímico, seja pelo aparecimento de algum percentual de quantidade ou de outras substâncias, ainda que não sejam proibidas, que provem que o produto usado foi um creme dermatológico", afirmou Nélio. O técnico observou que muitas declarações de médicos, várias delas com interpretações incorretas, foram publicadas na divulgação do caso de doping. Alguns médicos disseram que o doping só apareceria se a "atleta tivesse mergulhado em um tanque de creme". Nélio observou que "muitos referiram-se a quantidade enquanto outros, como o próprio responsável pelo antidoping no Comitê Olímpico Brasileiro, Eduardo De Rose, garantem que isso não importa, por ser um doping de qualidade, em que basta aparecer a substância". Por tudo isso, Nélio acha importante que um bioquímico especializado - talvez o mesmo norte-americano que defendeu Sanderlei Parrela, inocentado da acusação de doping - faça uma defesa bem feita. "Ele precisa mostrar que o doping apareceu por causa do uso do creme cicatrizante", insiste Nélio.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.