Maxi López: ''Me interpretaram mal''

Atacante argentino do Grêmio diz que não ofendeu Elicarlos e alega que tem dificuldade para falar português

Elder Ogliari, PORTO ALEGRE, O Estadao de S.Paulo

26 de junho de 2009 | 00h00

Depois de ser recebido com festa por cerca de 50 torcedores que esperavam o Grêmio no Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, o atacante argentino Maxi López se defendeu da acusação de racismo contra Elicarlos, do Cruzeiro. Ele negou ter chamado o lateral de ?macaco? numa discussão durante a vitória do time mineiro sobre os gaúchos por 3 a 1, anteontem, no Mineirão, pelas semifinais da Libertadores. Veja também: Até Aécio Neves toma parte na acusação Cruzeiro tenta minimizar conflito para não sofrer represália no Sul A intolerância desconhece fronteiras 'O racismo está no futebol como está na sociedade' 'Ver o futebol como espaço de democracia racial é ilusão'   A repercussão da polêmica   Em entrevista coletiva ao final do treino de ontem, o jogador gremista amenizou o incidente e disse que nem conhece o termo. De acordo com o jogador, as frases que usou, ditas no calor do jogo, podem ter sido mal interpretadas ou tiradas de contexto.Maxi López afirmou que, ainda no Mineirão, disse ao delegado que desconhece o termo. "Ele me explicou (o significado) e eu disse ''estou longe de falar isso?", relatou. "Não sei se me interpretaram mal. Eu falo pouco ou nada de português." Após prestar depoimento na delegacia do estádio, Maxi foi liberado.O jogador chegou a lamentar por se ver envolvido numa polêmica sobre racismo. "Isto me coloca numa posição na qual nunca acreditei que teria de estar". Segundo o atacante, houve exageros que tiraram um pouco o contexto da decisão, tentando criar problemas para o jogo de volta, no Olímpico, na próxima quinta-feira.Maxi López afirmou ainda que jogadores argentinos sofrem provocações no Brasil, assim como os brasileiros quando atuam naquele país. "Muitas vezes tentam me colocar algum apelido, me chamam de uma coisa ou outra", disse. "Mas isso não me afeta. São coisas do futebol e devem morrer aí."Durante toda a entrevista, o atacante do Grêmio sustentou que o que houve foi uma discussão típica de uma partida muito disputada. "Em nenhum momento houve agressão (verbal) da maneira que estão me acusando."O diretor jurídico do Grêmio, Camilo Gomes de Macedo, disse que vai esperar o andamento que a polícia mineira vai dar ao caso para, se necessário, formular a defesa do jogador. O dirigente garante que o clube gaúcho tem plena confiança na palavra do jogador e não acredita que ele tenha feito ofensas raciais a Elicarlos, como acusam os cruzeirenses.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.