Boris Streubel/Laureus
Boris Streubel/Laureus

Maya Gabeira diz que é contra homem e mulher receberem premiações iguais no surfe

Para brasileira, igualdade deveria existir em outros setores, como na área executiva, em que as pessoas exercem as mesmas atividades

Daniel Batista, O Estado de S.Paulo

27 de fevereiro de 2019 | 04h36

Há pouco mais de um ano, Maya Gabeira entrou para a história ao surfar a maior onda registrada entre mulheres (20,9 metros), feito que a colocou no Guinness Book, o livro dos recordes, quatro anos depois de sofrer uma grave lesão no tornozelo. Com a personalidade de quem deixou de ser a “filha de Fernando Gabeira” – jornalista, escritor e político – para se tornar uma referência em seu esporte, a carioca de 31 anos, que pretende se tornar velejadora, diz ser contra a igualdade da premiação para homens e mulheres. 

Ela sabe que sua opinião é polêmica. “Ganhar o mesmo é quase contraditório, porque é um esporte em que o masculino ainda domina muito não só dentro da água como o mercado. Pela iniciativa de igualar cada vez mais nos outros ambientes, é super válido. Mas creio que há muitos lugares, com menos visibilidade, em que a mulher ganha menos e isso é um problema real”, disse ao Estado. “Acho interessante no nosso esporte, em que a diferença de performance é tão grande, a gente ganhar o mesmo que os homens e em lugares com menor visibilidade ainda existir uma diferença tão grande financeira”, explicou. 

A carioca definiu como “maravilhoso” o fato de o surfe estar discutindo o tema e considera a igualdade “extremamente importante” em várias áreas. E cita as áreas executivas, em que as mulheres fazem exatamente o mesmo trabalho e ganham menos que os homens. “Mas é difícil comparar uma Marta com Neymar, uma Maya Gabeira com um Laird Hamilton (surfista americano de ondas grandes) ou uma Serena Williams com Roger Federer”, diz. No surfe, até o ano passado, os homens recebiam exatamente o dobro do valor pago para as mulheres.

A atleta, que fazia balé quando era criança, mas largou tudo em busca de algo mais radical, conta que quase desistiu do surfe em 2013, quando sofreu grave acidente ao tentar superar uma onda, na praia de Nazaré, em Portugal, justamente onde entrou para o Guinness. “Pensava em desistir, mas, ao mesmo tempo, eu acordava, ia para o treino, fisioterapia, checava o mar, preparava o meu equipamento e mudava de ideia. Eu tinha medos e dúvidas se era possível e vivi isso até conseguir bater o recorde”, explicou.

Maya dá risada e não quer nem pensar em aposentadoria no momento. Recentemente, ela chegou a se preparar para mudar de esporte. “Quando comecei a velejar, a ideia era me aposentar do surfe. Tinha cansado, mas começou a temporada e eu lembrei do quanto gosto do surfe”, disse a carioca, que precisou de trabalho psicológico para se reerguer. “Estava confusa demais e desgastada para conseguir entrar no Guinness. Passaram alguns meses, a temporada começou e vi que não era hora de me aposentar.”

Futuro. Animada para seguir na carreira, Maya não acredita que tenha chegado ao auge, apesar do feito inédito. Entretanto, com a honraria de estar no livro dos recordes, quer curtir os últimos anos no surfe sem grande pressão. “Eu espero continuar surfando ondas grandes em Nazaré, que é onde vivo, e acho que ainda tenho muito para evoluir. Talvez não tenha mais o objetivo de bater recorde, mas sim de surfar e fazer um bom trabalho. E, claro, velejar, que é algo que tenho feito bastante.”

Na semana passada, Maya concorreu ao prêmio de melhor atleta de ação de 2018, mas perdeu a disputa para a norte-americana Choe Kim, de 17 anos. Além da brasileira, Gabriel Medina também estava na disputa, além de Ana Gasser e Shaun White (ambos do snowboard) e Stephanie Gilmore (surfe).

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