Mayra Aguiar agora mira a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos

Judoca gaúcha de 23 anos ganha confiança depois do título mundial e projeta repetir a boa atuação no Rio de Janeiro, em 2016

O Estado de S. Paulo

30 de agosto de 2014 | 07h00

Mayra Aguiar tem 23 anos, mas desde os 14 está "pegando em quimonos" mundo afora, conforme diz. A gaúcha da categoria meio-pesado (até 78 kg) conquistou nesta sexta-feira o ouro no Mundial de Chelyabinsk, na Rússia, e se tornou a atleta do judô brasileiro com o maior número de medalhas na competição. Agora, são quatro, de todas as cores – já havia conquistado a prata em Tóquio-2010 e o bronze em Paris-2011 e Rio-2013.

"Eu já tinha o pódio inteiro no júnior, e no sênior faltava o ouro. Eu não ia sair daqui sem ele, vim para a Rússia com esse objetivo, não ficaria satisfeita se saísse com menos", disse a atleta da Sogipa.

A trajetória de Mayra é tão singular que o título mundial júnior, obtido em Agadir (Marrocos), foi ganho 40 dias após a primeira medalha mundial adulta, no Japão, em 2010. Mayra chegou nesta sexta-feira, portanto, a oito medalhas mundiais individuais, se também forem contabilizados os dois bronzes (Santo Domingo-2006 e Paris-2009) e a prata (Bangcoc-2008) que ganhou como júnior.

Para subir ao lugar mais alto do pódio em Chelyabinsk, Mayra "exorcizou" o fantasma Kayla Harrison. A americana é sua principal rival e, por causa de derrotas contra ela, a brasileira ficou com a prata no Mundial de 2010 (encontraram-se na final) e não pôde disputar a decisão dos Jogos de Londres, em 2012 (lutaram na semifinal). Na Rússia, voltaram a se encontrar por uma vaga na final.

A vitória contra a campeã olímpica veio com um yuko e um wazari. Mayra acredita que sua agressividade, desde o início, causou impacto. "Ela já tinha tirado um ouro meu em um Mundial e em uma Olimpíada, e isso estava me corroendo por dentro. Joguei tudo no tatame, comecei forte, e a tática deu certo. Ela não esperava. Eu saí acabada da luta e tinha pouco tempo para a final, mas minha cabeça estava muito boa." 

A rivalidade entre as duas ficou evidente no pódio. Enquanto Mayra e a francesa Audrey Tcheumeo, a quem derrotou na final, trocavam cumprimentos e conversavam após a execução do Hino Nacional, Kayla manteve-se com o semblante sério, mesmo tendo o bronze.

O ouro teve um gosto ainda mais especial para Mayra após o longo processo de recuperação de duas cirurgias no fim do ano passado, no cotovelo esquerdo e no joelho direito, que só permitiram o retorno aos treinos em abril. A dificuldade superada se traduziu nas lágrimas do pódio. "Ouvir o Hino sempre me emociona, mas dessa vez foi difícil segurar o choro. Por causa da cirurgia, passei o réveillon com o joelho inchado, mas realmente acreditando que eu iria ganhar essa medalha. Por tudo o que passei, veio um filmezinho e foi o que me emocionou no pódio."

A temporada curta, que além do Mundial teve apenas o Grand Slam de Tyumen em julho (também na Rússia, e também vencido por ela), deve ser completada apenas pelo Grand Slam de Tóquio, em dezembro. A meta, agora, está direcionada para 2016. "Quero ganhar minha medalha de ouro na Olimpíada também", diz. "Essa caminhada também vai ser dura, mas acho que tem tudo para dar certo. Quando a gente sonha, o sonho fica muito distante, então eu digo que tenho um objetivo. Vou fazer de tudo para deixá-la no Brasil."

LONGE DA META

O ouro de Mayra ajudou a melhorar a campanha em Chelyabinsk. O Mundial termina amanhã, com a disputa da competição por equipes, e o País está longe da meta: cinco medalhas no feminino e duas no masculino. Antes de Mayra, apenas Érika Miranda tinha conquistado o bronze. 

Outros dois brasileiros competiram nesta sexta-feira, e ficaram longe da briga por medalha. Tiago Camilo caiu na estreia e Barbara Timo, na segunda rodada.

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