Mayra é bronze e ajuda o Brasil em campanha inédita

Judoca gaúcha conquista em Paris a 5ª medalha da delegação e garante o melhor desempenho do País em Mundiais

Wilson Baldini Jr., O Estado de S.Paulo

27 de agosto de 2011 | 00h00

"Minha mãe diz que quando eu nasci, saí andando. Sempre fui precoce." Os acontecimentos na vida da gaúcha Mayra Aguiar não demoram a ocorrer. Foi campeã mundial júnior aos 15 anos, tornou-se a primeira mulher a chegar a uma final de Mundial adulto ano passado e, ontem, conquistou em Paris a medalha de bronze, a 5.ª brasileira, que torna esta edição como a mais presente em pódio na história do País, superando Rio/2007 (três ouros e um bronze) e Tóquio/2010 (duas pratas e dois bronzes).

Mayra também colocou o time feminino na frente do masculino no quadro de medalhas. Agora, as meninas somam uma prata (Rafaela Silva) e dois bronzes (Mayra e Sarah Menezes). "Estou muito feliz. Acho que dava para ganhar o ouro, mas cometi um erro. Não faz mal, o importante é seguir entre as primeiras."

Mayra, assim como Sarah Menezes, Rafaela Silva e Ketleyn Quadros, perdeu para uma japonesa - a derrota para Agari Ogata, líder do ranking mundial, tirou a brasileira da final. "Tenho dificuldades para enfrentá-las (as japonesas), mas nós vamos fazer um estágio (no Japão) e vamos corrigir isso", disse a judoca, de 20 anos, revelando o treinamento que será feito de 22 de novembro a 15 de janeiro em Tóquio, quando será disputado o último Grand Slam do ano.

Com lugar garantido na Olimpíada de Londres, Mayra espera poder diminuir o ritmo e ter condições de aprimorar técnicas no primeiro semestre de 2012. "Eu também tenho meu estilo estudado pelas adversárias e preciso me preparar para surpreender", disse a judoca, que venceu suas quatro lutas por ippon.

Gaúcha de Porto Alegre, Mayra aproveitou para agradecer a torcida e a ajuda de João Derly, bicampeão mundial, que treina com ela no Sogipa. "As surras dele mostram seu valor a cada campeonato que eu consiga ganhar uma medalha." Namorando "sério" com Renato, um decatleta de Piracicaba há seis meses, Mayra não vê a hora de voltar para o Brasil e poder festejar mais uma conquista com o pai Júlio (grande incentivador), a mãe Leila, a irmã Hellen e o irmão Rafael.

Maria Portela, a outra brasileira em ação no Palais Omnisports, foi eliminada na segunda luta. No masculino, o peso médio (90 kg) Hugo Pessanha venceu três vezes até ser derrotado pelo fortíssimo grego Ilias Iliadis. Tiago Camilo também não teve sucesso. Após três triunfos, perdeu para o ucraniano Valentyn Grekov nas oitavas de final.

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