Medalha e recorde mundial nos 200m

Terezinha Guilhermino, que ainda vai correr os 100m e os 400m, superou marca que durava 10 anos

Amanda Romanelli, O Estado de S.Paulo

24 de janeiro de 2011 | 00h00

Apontada como uma das principais estrelas do Mundial Paraolímpico de Atletismo, Terezinha Guilhermino não decepcionou em Christchurch. A velocista brasileira tornou-se bicampeã mundial dos 200 m T11 (cegos) e ainda bateu o recorde mundial da prova, marca que durava havia mais de 10 anos. "Esta é a principal competição da minha vida. Foi a que eu mais me preparei, em todos os sentidos: emocionalmente, psicologicamente, fisicamente e tecnicamente."

A mineira de 32 anos ainda correrá os 100m e os 400m, também em busca dos títulos. Ressalta a forte preparação que fez em 2010, com a disputa de muitas provas internacionais, mas destaca o combustível principal para conseguir corroborar a condição de favorita: o auxílio do guia Guilherme Santana.

"O maior elogio que eu posso fazer para o Guilherme é que ele é invisível", brinca a velocista, que nas eliminatórias dos 200 m marcou 24s74 e bateu o recorde mundial (24s99) que era de Ádria dos Santos desde 2000.

"Ele (Guilherme) foi feito sob medida pra mim. Desde que eu me entendo por gente, quis correr sozinha. E consegui isso com ele. Brinco que estou no piloto automático." Na decisão, menos pressionada, Terezinha ganhou com 24s98. "Correr abaixo dos 25 segundos era algo que persegui em toda a minha carreira."

A parceria começou por acaso, em setembro de 2010. "Nunca tinha sido guia. A Terezinha me chamou após um treino, perguntou minhas marcas e falou: "é, você dá conta". Fui para uma competição com ela em São Paulo e saí de lá sabendo que viria para o Mundial."

A entrada de Terezinha na pista é só festa. Quando seu nome é anunciado, segundos antes da largada, ela pula vigorosamente e acena para todos que a aplaudem. E não esquece dos detalhes: unhas com as cores do Brasil (pintadas com a ajuda do guia Guilherme), faixa na cabeça e óculos escuros colocados sobre a venda dos olhos. "Sou vaidosa. Gosto muito do colorido. Posso não estar vendo, mas que todos vão me enxergar, isso vão! É o que faz de mim ser a Terezinha."

Pistorius. Ontem, o sul-africano Oscar Pistorius garantiu o ouro nos 200 m T44 (amputados), mas não conseguiu bater seu recorde mundial. Ele completou a distância em 21s80, 26 centésimos acima da marca.

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