Wilfredo Lee/ AP
Wilfredo Lee/ AP

Medalhista da Rio-2016 reencontra a família após protestar contra o governo da Etiópia

Maratonista Feyisa Lilesa ficou seis meses longe da mulher e dos filhos

O Estado de S.Paulo

15 Fevereiro 2017 | 18h47

Longe da mulher e dos filhos, o medalhista de prata da Rio-2016, Feyisa Lilesa, conseguiu rever a sua família após seis meses afastado da Etiópia. O maratonista de 27 anos precisou se esconder após ter protestado contra o governo do seu país durante os Jogos.

A Etiópia vive uma violenta repressão aos protestos nos últimos meses. Desde outubro do ano passado, o local declarou estado de emergência. A história de Feyisa Lilesa chamou a atenção e o transformou em um herói nacional, sem asilo político no Brasil, ele precisou aguardar  o visto de residência permanente nos Estados Unidos e viajar para encontrar sua família no aeroporto de Miami.

"Eu sabia que que nós nos encontraríamos em algum momento, mas eu não espera que fosse acontecer nestas circunstâncias aqui. Quando eu penso na minha família, eu volto ao ponto em que decidi tomar esta atitude," conta Lilesa em entrevista para a rede americana NBC.

Com um buquê de rosas, o maratonista esperou ansioso pela chegada da mulher e dos filhos. A emoção tomou conta de Lilesa quando sua filha correu para garantir o primeiro abraço do pai. "O melhor presente é vê-los de novo. Tem sido difícil," declara o atleta.

Depois de se tornar vice-campeão olímpico, Lilesa não voltou mais para Etíopia. Ele precisou ficar em um hotel depois do encerramento dos Jogos no Rio de Janeiro. Lá, permaneceu pelo tempo limite de três meses e foi para os  Estados Unidos até poder reunir sua família novamente.

ENTENDA O CASO

Na linha de chegada da maratona olímpica, Feyisa Lilesa protestou contra o governo etíope. O que ele não imaginava, é que a ação renderia drásticas consequências. O atleta defende que o local é governado por uma minoria étnica que oprime violentamente  os povos e precisava chamar a atenção do mundo para o problema. "Eu acredito que ter assumido o risco de colocar a minha família nmaquela posição, de potencialmente colocá-los em perigo, foi uma grande lição para muitas pessoas. Às vezes, precisamos nos sacrificar para ganharmos concessões e mudarmos uma situação. Neste sentido, a minha atitude inspirou pessoas a lutarem pelos seus direitos e resistiram ao governo da Etiópia," conta.

 

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