Felipe Saad
Bronze por equipes nos Jogos de Atlanta-96 e Sydney-2000, Doda foi o responsável por idealizar e realizar o projeto. Felipe Saad

Medalhista olímpico projeta CT de primeiro mundo para o hipismo brasileiro

Local fica em Itatiba, no Interior, e foi construído pelo medalhista olímpico Doda

Vinicius Saponara, O Estado de S.Paulo

26 de julho de 2020 | 05h00

O hipismo ganha um novo centro de treinamento, com um sistema de formação de atletas e cavalos inédito no Brasil, e uma competição com uma premiação milionária de quase R$ 2 milhões. Esses são os projetos idealizados e realizados pelo cavaleiro olímpico Alvaro Affonso de Miranda Neto, o Doda, medalhista de bronze por equipes nos Jogos Olímpicos de Atlanta-1996 e nos de Sydney-2000, em seu haras na cidade de Itatiba, no interior de São Paulo.

A futura arena criada especialmente para o hipismo - o DTC (Doda Training Center) - vai oferecer para cavaleiros e cavalos o DTS - Doda Training System - , método desenvolvido pelo medalhista olímpico para treinar atletas e preparar cavalos novos. O local tem uma pista de grama e duas de areia, além de picadeiro coberto com arquibancada e mezanino. São 100 cocheiras e outras 25 estão em fase de construção, além de outras 200 que também serão construídas. A expectativa é receber de 25 a 30 eventos por ano no local, inclusive uma etapa da Copa do Mundo.

"O DTS, o Doda Training System, é um sistema de treinamento que eu montei para que os alunos tenham acesso a tudo que aprendi na Europa nos últimos 22 anos, e que continuo aprendendo, sem a necessidade de estar na Europa, com um investimento tão alto", explicou Doda, em entrevista ao Estadão, que irá fazer a assessoria dos atletas à distância e presencialmente, no início, uma vez por semana.

"Em breve vamos conseguir formar cavaleiros ambiciosos, de diversas idades, que independente de sonhos olímpicos, querem ser campeões em suas categorias. Vamos conseguir ter uma equipe sensacional, com um método de trabalho padronizado com o Sistema Doda de treinamento", comentou o cavaleiro, explicando a ideia da construção do CT.

"Com esse propósito é que concebi e construí o DTC, para ser o 'nível universitário' do hipismo brasileiro, pois aqui infelizmente é como se não houvesse cursos a partir do nível colegial obrigando, como foi o meu caso, a ir para o exterior aos 17 anos de idade, deixando minha família e amigos. Quando uso o termo 'universitário' quero enfatizar a necessidade do cavaleiro pensar e agir e não simplesmente montar. Para isso há necessidade de ampliar seus conhecimentos para outras matérias como o bem estar do animal, o material, as regras, a estratégia competitiva, a conduta e a ética esportiva", afirmou Doda.

COMPETIÇÃO

Idealizado e organizado por Doda, o DTC Equestrian Tour 2020 vai distribuir R$ 1,813 milhão em 8 etapas e na grande final para os atletas Top 25 de cada categoria. Só na etapa decisiva o valor vai ultrapassar meio milhão de reais. O evento será realizado de agosto a novembro e a expectativa é receber de 120 a 135 conjuntos.

"Meu objetivo é sempre acrescentar, dando um 'upgrade' à estrutura existente com benefícios de efeito multiplicador. Assim como na formação de cavaleiros e amazonas em nível de alto rendimento para aqueles atletas que tem talento e precisam de um trabalho de excelência, também penso nas competições como complementares às dos clubes, porém com um programa de provas de primeiro mundo", comentou Doda, que tem experiência na organização desse tipo de evento.

"Minha família tem tradição de realizar no Brasil os maiores e melhores concursos hípicos do País. Recentemente inovei e revolucionei com o sucesso do LXTC e agora com o DTC, mas no passado meu pai realizou durante anos a Pamcary Young Riders Cup e eu, o Athina Onassis Horse Show", concluiu.

Doda assegurou que toda a estrutura do DTC está preparada de acordo as medidas sanitárias das autoridades de saúde de Itatiba e do governo de São Paulo para o combate ao novo coronavírus. "Temos a vantagem de contar com uma propriedade particular com toda infraestrutura em Itatiba. Em sendo uma propriedade privada, pudemos tomar todas as providências de isolamento social conforme orientação governamental com todo rigor. Outro aspecto de suma importância é a competência da prefeitura local, que com suas medidas inteligentes faz um trabalho excelente e vem obtendo um dos melhores resultados do País", afirmou.

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Adiamento em razão da pandemia recoloca os Jogos de Tóquio nos planos de Doda

Cavaleiro não conseguiria participar da Olimpíada este ano, por causa de uma contusão, mas ganhou alento com troca de data

Vinicius Saponara, O Estado de S.Paulo

26 de julho de 2020 | 05h00

Um dos atletas brasileiros com maior número de participações em Jogos Olímpicos, o cavaleiro Alvaro Affonso de Miranda Neto, o Doda, não tinha esperanças de ir à Tóquio neste ano para disputar a sexta Olimpíada de sua carreira. Tudo por conta de uma lesão no quadril sofrida em 2019. Mas aí veio o adiamento do evento para 2021 por causa da pandemia do novo coronavírus e a oportunidade reapareceu.

Fora da seleção desde o final dos Jogos do Rio-2016, quando fez parte do time quinto colocado nos saltos e ainda ficou em nono lugar no individual, Doda revela que por causa da contusão o plano passou a ser a Olimpíada seguinte, em Paris, daqui quatro anos, mas agora vê uma chance de ir a Tóquio.

"Meu plano olímpico era inicialmente Paris-2024, mas com o adiamento passo a ter uma chance de disputar uma vaga olímpica para Tóquio. Estou treinando muito, mas, caso venha a ser selecionado, somente irei se sentir que poderei ajudar muito minha pátria que tanto amo", disse o cavaleiro, em entrevista ao Estadão.

A seleção brasileira, sem Doda, conquistou a medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de Lima-2019, no Peru, garantindo uma vaga em Tóquio - o time na ocasião foi formado por Pedro Veniss, Marlon Zanotelli, Eduardo Menezes e Rodrigo Lambre. Com o adiamento da Olimpíada, a Confederação Brasileira de Hipismo (CBH) ainda não confirmou quem ocupará as vagas para a equipe de saltos.

Doda conta que, caso consiga um lugar na seleção para os Jogos que serão disputados no Japão, poderá passar mais de sua experiência. "Há naturalmente um desejo pessoal de realização e me sinto de certa forma obrigado a compartilhar minha experiência, que não se resume nas seis Olimpíadas e três Pan-Americanos que participei e nas medalhas que ganhei. Todos os grandes cavaleiros e amazonas internacionais são mestres na arte da equitação e acredito que meu currículo me credencia formar atletas olímpicos", afirmou.

"O Brasil vai estar sempre entre os seis países para disputar medalhas em Jogos Olímpicos, principalmente em Tóquio. O hipismo do Brasil vai chegar com a mesma força que entrou no Rio-2016, quando terminou em quinto lugar, com a diferença que agora ganhou mais moral, com as duas medalhas de ouro no Pan-Americano de Lima", completou.

O cavaleiro, que morou na Europa de 1995 a 2016, deixou de integrar a seleção brasileira em apenas duas ocasiões nestes 21 anos: nos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro, disputados em 2007, e de Toronto, no Canadá, em 2015. Com isso, tornou-se o brasileiro que mais representou o País na modalidade na soma de Jogos Pan-americanos, Mundiais e Olimpíadas, com um total de 15 participações.

Doda tem entre os momentos mais marcantes de sua carreira a medalha de bronze por equipe nos Jogos Olímpicos de Atlanta-1996, nos Estados Unidos, e a de Sidney-2000, na Austrália.

Também é medalhista de ouro, por equipe, nos Jogos Pan-Americanos de Winnipeg, no Canadá, em 1999; bronze no Pan de Santo Domingo, na República Dominicana, em 2003; e prata no Pan de Guadalajara, no México, em 2011.

O cavaleiro ganhou também o Prêmio Brasil Olímpico, dado pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB), como o melhor no hipismo em 2003, 2012 e 2013.

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