Medalhistas do futebol feminino podem ficar fora do Pan

Quando conquistaram a medalha de prata na Olimpíada de Atenas, em 2004, as jogadoras da seleção brasileira de futebol feminino acreditavam ter dado a largada para uma geração que chegaria ao topo, mas a base daquele time corre o risco de ficar de fora dos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro.Uma renovação promovida pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) afastou do time que participou do Sul-Americano do ano passado a base responsável pela inédita medalha olímpica. O resultado foi catastrófico: a primeira derrota para a Argentina em 15 anos.No Pan, quando a melhor jogadora do mundo, Marta, pode novamente ficar de fora por pressão de seu clube, a seleção corre o risco de perder o título conquistado nos últimos Jogos, em Santo Domingo (2003).A menos de quatro meses do início do Pan-Americano, que começa em 13 de julho, as jogadoras excluídas cultivam a esperança de serem chamadas pelo técnico Jorge Barcellos para defender a seleção diante da torcida."Depois da Olimpíada ninguém mais me procurou. É estranho porque eles nunca disseram nada", disse a zagueira Juliana Cabral, capitã do time vice-campeão olímpico e líder das reivindicações junto à CBF para a melhoria das condições da modalidade no país após os Jogos."Não acho justo que esse tipo de coisa aconteça com as meninas que se dedicaram muito tempo ao futebol feminino do Brasil. Não dá para entender a ausência dessas jogadoras", acrescentou a jogadora, de 25 anos. Depois da Olimpíada, a seleção feminina principal passou dois anos e três meses sem disputar nenhuma partida. O time só voltou a se reunir para o Sul-Americano, em novembro, quando metade das 20 jogadoras chamadas não tinha estado nos Jogos de Atenas.Das 11 titulares na final olímpica, apenas cinco estiveram no Sul-Americano. Ao perder por 2 a 0 para as argentinas na final, o Brasil entregou uma invencibilidade de 22 partidas no torneio. Desde a primeira edição, em 1991, esta foi a primeira vez que o Brasil não sagrou-se campeão. ProdutividadeO técnico Barcellos, que substituiu René Simões no comando da equipe, fará a primeira convocação para o Pan-Americano no dia 6 de abril. O time ficará entre 16 e 30 desse mês treinando na Granja Comary, em Teresópolis, e depois voltará para uma nova preparação de 14 a 31 de maio.Sem adiantar se pretende contar com as medalhistas de prata para recuperar-se da derrota para a Argentina, o treinador garante que não levará em consideração nada que não seja o aspecto técnico."A gente não escolhe por nada que não seja a produtividade. Você tem que convocar a jogadora que for melhor para a seleção, temos que chamar quem está bem no momento", disse o treinador.Sobre a meia-atacante Marta, eleita pela Fifa a melhor do mundo em 2006, o técnico passou a responsabilidade para a CBF. "A Marta está desde já convocada para o Pan, agora depende de a CBF conseguir a liberação."Além da capitã Juliana Cabral, as titulares de Atenas que não estiveram no Sul-Americano são Andréia (29 anos), Tânia Maranhão (22 anos), Formiga (29 anos), Pretinha (31 anos) e Marta, esta por não ter obtido liberação de seu clube, o Umea, da Suécia.A atacante Roseli, que defendeu o Brasil nas Olimpíadas de 1996, 2000 e 2004, é outra jogadora que sonha em voltar ao time para o Pan. Aos 37 anos, a veterana defende a renovação, mas sem prejudicar a qualidade da equipe."Claro que deve haver renovação, mas não radical como no Sul-Americano. Muitas jogadoras ainda estão em idade de jogar e eles ignoraram", disse, por telefone, a atacante do Saad, clube mais antigo de futebol feminino do país ainda em atividade.

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