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Medalhistas olímpicos voltam a criticar os dirigentes do boxe brasileiro

Em evento no Rio, os irmãos Esquiva e Yamaguchi Falcão e Adriana Araújo detonaram a Confederação

TIAGO ROGERO, Agência Estado

23 de agosto de 2012 | 19h04

RIO - Medalhistas olímpicos em Londres, os três boxeadores que entraram para a história do esporte no Brasil - Adriana Araújo e o os irmãos Esquiva e Yamaguchi Falcão Florentino - voltaram a criticar a administração da Confederação Brasileira de Boxe (CBBoxe). Esquiva, que perdeu a medalha de ouro por apenas um ponto depois de uma punição aplicada pelo juiz na luta contra o japonês Ryoto Murata, reclamou também da demora do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) em pedir a revisão do resultado da final olímpica dos médios (até 75kg).

A solicitação do COB à Associação Internacional de Boxe (AIBA) foi feita na última sexta-feira, seis dias após a luta. Na terça, a AIBA recusou o pedido. "Eu já sentia que não daria certo porque o recurso do COB foi tarde demais. O COB e a CBBoxe poderiam ter pedido a revisão logo após a luta, mas deixaram para depois", disse o pugilista capixaba de 22 anos, que participou, junto com o irmão Yamaguchi, de 24 anos, e a baiana Adriana, de 30 anos, de evento da Petrobras, patrocinadora do boxe brasileiro, no Rio.

Perguntado por que não entrou com recurso logo após a derrota de Esquiva, o presidente da CBBoxe, Mauro José da Silva, também presente ao evento da Petrobras, disse que sequer assistiu à luta - a mais importante da história do boxe brasileiro, que jamais havia chegado a uma final olímpica. "Não vi a luta por uma decisão minha. Qual o problema? Estou vivendo todas as ''primeiras vezes'' do boxe brasileiro. Não tenho de explicar nada a ninguém, tenho três medalhas olímpicas na minha administração", afirmou o dirigente.

Adriana, bronze na categoria leve (até 60kg), voltou a afirmar que a CBBoxe nada teve a ver com sua conquista nos Jogos de Londres - foi a primeira vez que o boxe feminino entrou no programa olímpico. "Estou batalhando há 12 anos. Você acha em dois anos a Confederação fez alguma coisa? Não me ajudou em nada, pelo contrário", afirmou a medalhista. Esquiva engrossou o coro. "Apoio da Confederação? Olha, é difícil falar. Não sei em que a Confederação ajuda. Quem paga meu salário é a Petrobras, o dos técnicos, o local onde treinamos", disse o pugilista.

Mauro Silva, presidente desde 2009, foi irônico ao responder qual sua participação nas conquistas. "A Confederação não fez nada. Eles ganharam sozinhos", disse o dirigente. "Não teve equipe técnica, os técnicos não chegaram 6h30 todo dia para trabalhar. Eles simplesmente chegaram lá e ganharam. Você acha que um time chega na Olimpíada e ganha três medalhas sem que nada de bom tenha sido feito?"

PROFISSIONAL - Os irmãos Falcão Florentino contaram ter recusado proposta de US$ 50 mil de Acelino Popó Freitas para migrarem para o boxe profissional. "Neste momento, é muito pouco. Ele disse: ''Na minha época, não tive isso''. E eu disse a ele: ''Popó, mas na sua época você não pegou medalha''", revelou Esquiva.

Yamaguchi disse que migrar para o MMA é um sonho. "Mas tem de ser uma proposta muito boa para eu largar o boxe", contou o pugilista, que foi bronze em Londres na categoria do meio-pesado (até 81kg). Ele o irmão se disseram ansiosos para conseguir novos patrocínios depois das medalhas olímpicas.

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